Ursula von der Leyen: "Portugal é um modelo de como seguir um rumo"

A presidente da Comissão Europeia está em Portugal para acompanhar o programa de recuperação e resiliência. Após o encontro com o primeiro-ministro, Ursula von der Leyen só teve elogios para Portugal.

"É um modelo sobre como definir um rumo", foi assim que a presidente da Comissão Europeia elogiou o caminho que Portugal traçou desde a crise financeira anterior e o que está a preparar para combater a económica que se abateu sobre o país por causa da pandemia.

Ursula von der Leyen lembrou que muito antes de a Europa abraçar o digital, Portugal veio mudar o seu mix de energia para formas mais sustentáveis. E a congregação da aposta no digital e no ambiente são os desafios da agenda da União Europeia.

"Há medidas que são feitas à medida de Portugal", garantiu a responsável europeia sobre o acordo que foi conseguido para financiar os Estados na recuperação das economias. Sobretudo, disse, no que diz respeito à manutenção das empresas e dos postos de trabalho.

Ladeada por António Costa, com quem esteve reunida em São Bento e com o qual irá jantar, Ursula von der Leyen sublinhou a papel que o governo português dá à área social no seu plano de recuperação e resiliência. Ela própria estará esta terça-feira presente durante a apresentação do plano desenhado por Costa e Silva e o da União Europeia, na Fundação Champalimaud.

A presidente do órgão executivo da UE, insistiu muito na ideia de que a Europa tem de remar para o mesmo lado num momento de pandemia, e quando introduz mecanismos para complementar os estabilizadores económicos, com "um pacote sem precedentes". "É o momento de uma União única", disse.

Quando questionada pelos jornalistas sobre a falta de acordo entre os Estados sobre o "pacote" para a recuperação, sobretudo dos chamados países "frugais" - Dinamarca, Holanda, Áustria e Suécia - Ursula von der Leyen admitiu que as negociações "são duras e muito intensas", mas sublinhou que "toda a gente sabe o que está em jogo", já que a pandemia não acabou. Relativamente ao curto espaço de tempo para executar os fundos que vierem a estar disponíveis - seis anos - manifestou-se confiante de que será possível fazer tudo nesse período.

António Costa reconheceu que é preciso uma aprovação rápida do programa europeu de recuperação e resiliência e que todos os Estados têm de se preparar para avançar assim que os fundos estiverem disponíveis para executar.

O primeiro-ministro português também se desfez em elogios à responsável europeia, a quem tratou por "tu", e que considerou liderar a Comissão de "uma forma exemplar num momento tão difícil de pandemia e que tem atingido tão duramente a Europa". Sem o esforço da Comissão, cada Estado teria, segundo Costa, mais dificuldade em lidar com a crise. Agora o trabalho em cada Estado, os respetivos planos de recuperação e resiliência "são uma responsabilidade enorme" sobre esta capacitação inédita de fundos da União. E também uma palavra para o esforço de todos os Estados no apoio ao desenvolvimento das vacinas para o covid-19 e na sua aquisição.

Os dois responsáveis falaram ainda da presidência portuguesa da UE, que começa em janeiro de 2021 , e que terá como missão desenvolver o pilar social da UE.

António costa recusou-se a comentar as negociações internas para o Orçamento do Estado para o próximo ano na conferência de imprensa com a líder da Comissão Europeia, mas sempre foi dizendo que as "negociações têm avanços positivos". "Mais do que nunca é importante fazer um bom orçamento", rematou.

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