Portugal e Espanha testam resposta a acidentes com aeronaves

Militares de Portugal e Espanha cooperam num exercício com a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, INEM e bombeiros na região centro do país.

As forças aéreas de Portugal e Espanha testaram esta semana os procedimentos a desenvolver numa operação combinada de busca e salvamento em terra, após a queda de um helicóptero que combatia incêndios entre a Guarda e Viseu.

O exercício Morsa Sater 19 decorreu esta semana, tendo como base de operações o Aeródromo Militar nº.1 (Ovar) e a ativação dos meios aéreos - aeronaves de vigilância para localizar a zona do acidente e helicópteros para transporte e socorro das vítimas - a partir dos centros de busca e salvamento (RCC, sigla em inglês) de Lisboa e Madrid.

"Havia dúvidas sobre se o acidente tinha ocorrido em Portugal ou já em Espanha", pelo que foi necessário solicitar o apoio das autoridades espanholas, explicou esta quarta-feira ao DN o porta-voz da Força Aérea, que este ano já assumiu a responsabilidade pelo comando e gestão dos meios aéreos do Estado afetos ao combate aos fogos.

O tenente-coronel Manuel Costa informou ainda que o exercício envolveu 73 operacionais, 58 militares - 13 dos quais espanhóis, a maioria da Ala 48 do Exército do Ar de Espanha - e 13 civis da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), do INEM e dos bombeiros de Fornos de Algodres e de Aguiar da Beira.

"Mayday, Mayday, Mayday"

O cenário criado para o exercício, que começou segunda-feira e termina esta quarta-feira, situou a queda do helicóptero da ANEPC numa vasta área da região centro que se estendia até Espanha e oito minutos após a descolagem para combater os incêndios que lavravam entre Fornos de Algodres e Aguiar da Beira.

Note-se que a aeronave espanhola de busca e salvamento ativada para a missão acabou por, devido ao mau tempo, não descolar e participar no exercício ao vivo para "testar, reajustar e consolidar procedimentos" bilaterais nesse domínio, precisou Manuel Costa.

A operação de busca foi lançada sobre uma vasta área da região centro, pois o piloto do helicóptero afetado por problemas técnicos 'apenas' teve tempo de lançar o alerta - "Mayday, Mayday, Mayday" - e dizer que iria tentar uma aterragem forçada num descampado.

Após o C-295 da Força Aérea localizar o local do acidente e transmitir a informação ao RCC Lisboa, este centro informou as autoridades - nomeadamente o INEM, para avaliar a gravidade dos tripulantes - e ativou também o Núcleo de Evacuações Aeromédicas (NEA) do ramo.

No local foram 'encontrados' quatro feridos, três dos quais em estado grave que tiveram de ser evacuados num helicóptero EH-101. O quarto foi transportado por uma ambulância dos Bombeiros de Fornos de Algodres.

Estes exercícios militares da série Morsa Sater realizam-se no âmbito do acordo de cooperação ibérica em matéria de busca e salvamento (SAR, sigla em inglês), informou o porta-voz da Força Aérea.

Furacão cancelou exercício nos Açores

Se neste exercício Morsa Sater o mau tempo apenas condicionou a participação da aeronave espanhola, pior foi num exercício SAR em ambiente marítimo que estava programado para o finald e setembro nos Açores: a passagem do Furacão Lorenzo pelo arquipélago naquele período obrigou ao seu cancelamento, explicou o tenente-coronel Costa.

O exercício ASAREX 2019 deveria ter decorrido entre 30 de setembro e 04 de outubro, envolvendo militares da Força Aérea e Armada, da Força Aérea do Canadá e da Guarda Costeira dos EUA. Participariam ainda elementos da Autoridade Marítima Nacional, do Instituto Hidrográfico e do Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores.

Cooperação e interoperabilidade entre as entidades participantes era o objetivo desse exercício militar real executado a partir da Base Aérea das Lajes, na ilha Terceira, através da criação de um "cenário o mais realista possível" - um acidente aeronáutico em ambiente terrestre e marítimo - para permitir o treino conjunto e combinado dos meios aéreos, navais, terrestres e humanos envolvidos, precisou o oficial.

Mecanismos de coordenação entre os diferentes centros de busca e salvamento marítimo (MRCC) abrangidos pela região de informação de voo (FIR, sigla em inglês) de Santa Maria, operações SAR diurnas e noturnas, largada de kits salva-vidas, apoio e resgate a sinistrados, buscas em terra e operações de evucação médica seriam algumas das atividades a desenvolver no ASAREX 2019.

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