Marcelo quer a "melhor solução possível" para uma TAP que "prossiga o interesse de Portugal"

O chefe de Estado considera que deixar falir a TAP "não é uma hipótese"

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, disse, esta terça-feira, esperar que "se encontre a melhor solução possível" para que se continue a ter uma TAP que salvaguarde os interesses nacionais.

"Para mim o que interessa é o seguinte: que, neste momento, se encontre a melhor solução possível - digo possível porque as companhias de aviação estão todas numa situação dramática - para continuarmos a ter uma TAP portuguesa, que prossiga o interesse de Portugal", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, à margem de uma cerimónia de comemorações dos 150 anos do nascimento de Alfredo da Silva, criador do grupo CUF, em Lisboa.

Questionado pelos jornalistas sobre a possibilidade de uma nacionalização da companhia aérea, Marcelo Rebelo de Sousa preferiu não comentar. "Não tem o Presidente da República de se pronunciar sobre um processo em curso com vários cenários", disse.

Para o chefe de Estado deixar falir a TAP não é, no entanto, uma possibilidade. "Decorre da minha posição que certamente não é uma hipótese que permita a Portugal ter uma empresa que salvaguarde os interesses portugueses, não é", afirmou.

De acordo com o Presidente da República, uma TAP que prossiga o interesse de Portugal tem como base três aspetos fundamentais. A ligação do Continente com as Regiões Autónomas, com as comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo e com os países de língua oficial portuguesa".

De referir que o semanário Expresso noticia esta terça-feira que falhou o acordo entre o Estado e os acionistas privados por causa do empréstimo de 1,2 mil milhões de euros à companhia aérea portuguesa. O Governo, para já, não confirma a informação. Mas lembra a importância da empresa para o país.

"Seria um desastre económico perder a TAP", salientou o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, durante a audição parlamentar na comissão de Economia.

O Dinheiro Vivo apurou, junto de fontes das negociações, que tudo indica que o primeiro-ministro, António Costa, deverá anunciar a decisão nas próximas horas.

"Nenhum governo permitiria uma intervenção de 1,2 mil milhões sem garantir mínimos de intervenção que protejam o Estado", sublinhou há minutos Pedro Nuno Santos na comissão de inquérito, em resposta à deputada do BE Isabel Pires, indicando que se tentou negociar nesse sentido mas a administração da TAP chumbou essa tentativa.

O ministro sublinha porém estarem ainda a tentar mas estar "preparado para tudo". "Faremos uma intervenção mais assertiva se não for aceite e os privados têm direito" de recorrer aos instrumentos legais depois para fazer valer os seus direitos, frisou.

O ministro das Infraestruturas e da Habitação assume que a TAP vai ter um plano de austeridade por causa da sua reestruturação. "Se vamos fazer uma intervenção com aquela dimensão e não fazemos um ajustamento em rotas deficitárias, estaremos a fazer um mau serviço à TAP e ao país", disse Pedro Nuno Santos na comissão parlamentar de inquérito.

Outras Notícias

Outros conteúdos GMG