Marcelo anuncia: escolas não abrem em abril

É preciso manter esforço para "ganhar em abril o mês de maio", disse o PR, após mais uma reunião entre a classe política e especialistas médicos

O Presidente da República afirmou esta terça-feira que, segundo os especialistas, é preciso manter o esforço de confinamento em abril para dar"passos de liberdade em maio, tanto no sistema escolar como nas atividades económicas e sociais. O terceiro período estava marcado para começa em 14 de abril.

Marcelo Rebelo de Sousa falava aos jornalistas no final da terceira reunião técnica sobre a "Situação epidemiológica da covid-19 em Portugal", no Infarmed, em Lisboa.

"Não haverá [aulas em abril]. É o senhor primeiro-ministro que o dirá dia 9 de abril, mas daquilo que disseram os especialistas, é ganhar em abril o mês de maio, portanto, é manter este esforço em abril."

Questionado se das suas palavras se pode depreender que, por vontade dos técnicos, não haverá abertura das escolas neste mês de abril, o chefe de Estado respondeu: "Isso pode depreender obviamente. Não haverá. É o senhor primeiro-ministro que o dirá no dia 9 de abril, mas daquilo que disseram os especialistas, é ganhar em abril o mês de maio, portanto, é manter este esforço em abril."

"Para dar passos de liberdade em maio, no sentido de regresso progressivo à normalidade, não apenas no sistema escolar, é preciso em abril ganhar maio."

Transmitindo à comunicação social as mensagens dos especialistas, que considerou terem sido "muito claras e muito impressivas", o Presidente da República declarou que "há uma tendência positiva" na evolução da propagação da covid-19, "lenta, mas positiva".

"A segunda ideia é a de que, se queremos ganhar a liberdade em maio, precisamos de a ganhar em abril. Isto é, para dar passos em maio de liberdade, no sentido de regresso progressivo à normalidade, não apenas no sistema escolar, como na atividade económica e social, é preciso em abril ganhar maio", acrescentou.

Na sexta-feira passada, entrevistado na Rádio Renascença, o primeiro-ministro assumiu explicitamente que 4 de maio é a data limite para o terceiro período letivo reabrir com aulas presenciais. A partir daí torna-se impossível reajustar os calendários de férias e dos exames. O cenário que aparentemente está em cima da mesa é o das aulas presenciais reabrirem nesse dia 4 de maio (uma segunda-feira) mas apenas para o ensino secundário (10º, 11º e 12º ano).

"A escola envolve não só grupos de pequeno risco como os jovens, mas também grupos de risco como professores e funcionários. Todo o cuidado é pouco."

À saída da reunião, David Justino, vice-presidente do PSD, reforçou a disponibilidade do partido em colaborar com o executivo de António Costa no combate à pandemia de covid-19. "A nossa disponibilidade é total para colaborar com o Governo, em especial, neste caso, em relação às medidas que se podem começar a antever para maio no que diz respeito à abertura de escolas e com todo o tipo de atividades que decorrem da própria abertura da escola".

O PSD considera que é "ainda um pouco cedo" para saber a data da reabertura das escolas". "A escola envolve não só grupos de pequeno risco como os jovens, mas também grupos de risco como professores e funcionários. Entendemos que todo o cuidado é pouco", disse David Justino, que realçou que "como se sabe, metade do corpo docente tem pelo menos 50 anos".

Já Catarina Martins, líder do BE, saiu da reunião dizendo que "parece claro que as medidas de contenção estão a resultar".

Porém - salientou - as medidas restritivas têm de continuar. "O que quer dizer que a abertura do ano letivo no dia 14 de abril está fora de questão".

João Oliveira, líder parlamentar do PCP, também salientou que fica "a constatação dos resultados positivos" que tem tido o cumprimento das medidas restritivas por parte dos portugueses.

Porém, contrapôs:"Num momento em que os responsáveis de saúde pública apelam à necessidade da manutenção dessas medidas, parece-nos essencial que seja tida em consideração a necessidade de resolver problemas económicos e sociais e até problemas de saúde mental que decorrem do cumprimento destas medidas."

"Todos convergem em reconhecer que essa redução do número médio de contágios é o resultado do conjunto de medidas que têm vindo a ser desenvolvidas."

Falando à Lusa, o secretário-geral adjunto do PS, José Luís Carneiro, que também participou nesta terceira reunião técnica sobre a situação epidemiológica em Portugal, no Infarmed, também partilhou a ideia de que "os esforços conjuntos que têm vindo a ser desenvolvidos estão a produzir resultados positivos".

Esses resultados - acrescentou - medem-se nomeadamente na "redução do número médio de contágios nos últimos dias". "Todos convergem em reconhecer que essa redução do número médio de contágios é o resultado do conjunto de medidas que têm vindo a ser desenvolvidas."

"Todos têm de manter o esforço para se manterem confinados nas suas habitações, excluindo os movimentos considerados indispensáveis para efeitos laborais ou acesso a bens públicos essenciais."

De acordo com o "número dois" da direção do PS, apesar de os resultados conhecidos serem positivos, "aconselham que todas as mensagens que têm sido dadas ao país, designadamente por parte do Presidente da República, do primeiro-ministro e demais intervenientes na condução deste processo, devam ser sublinhadas e mantidas".

Ou seja: "Todos têm de manter o esforço para se manterem confinados nas suas habitações, excluindo os movimentos considerados indispensáveis para efeitos laborais ou acesso a bens públicos essenciais."

A quarta reunião técnica no Infarmed terá lugar no próximo dia 15 e, segundo José Luís Carneiro, servirá para "ver como poderemos encarar o nosso futuro nos meses de maio e de junho em termos de retoma de algumas atividades que são essenciais para toda a sociedade, nomeadamente as escolares".

"Vamos manter todos os esforços determinados até hoje para procurarmos ter a perspetiva de que na próxima avaliação haja uma luz ao fundo do túnel", disse.

Na quarta-feira o primeiro-ministro conversará com delegações dos partidos com assento parlamentar exclusivamente sobre a questão do encerramento das escolas. Na quinta-feira deverá ser anunciada uma decisão oficial quanto ao recomeço (ou não) do 3º período.

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