Marcelo reconhece que a sua ida ao Jamaica pode ter sido mal interpretada

O chefe de Estado manifestou ainda o seu apoio à requisição civil apresentada pelo Governo esta quinta-feira e classificou a greve dos enfermeiros como "intolerável"

O Presidente da República admitiu, esta quinta-feira, que a sua visita ao bairro da Jamaica, onde houve conflitos entre cidadãos e polícia, pode ter sido mal interpretada. Marcelo de Rebelo de Sousa comentou a sua decisão durante programa "Circulatura do Quadrado", da TVI24 e da TSF, que nesta sua estreia foi transmitida em direto do Palácio de Belém.

O chefe de Estado português foi esta segunda-feira ao bairro da Jamaica, no Seixal, onde foi apresentado à família Coxi, envolvida no incidente com a PSP na manhã de 20 de janeiro. Marcelo foi acusado de apoiar cidadãos que alegadamente agrediram agentes da polícia. No programa, o Presidente admitiu que talvez não devesse ter ido até ao bairro naquelas circunstâncias, acrescentando que tem todo o respeito pelo trabalho da polícia e que sabe que as autoridades que atuam na zona metropolitana têm um trabalho "ainda mais difícil".

"Nenhum democrata pode deixar de reconhecer o papel fundamental das forças de segurança. Sem elas não há democracia, não há liberdade", declarou.

A favor da requisição civil para os enfermeiros

Questionado sobre a requisição civil de enfermeiros apresentada pelo Governo esta quinta-feira, Marcelo não contestou a decisão do executivo. "Se os serviços não foram cumpridos - depois, de duas uma, ou foram ou não foram - estão preenchidos os requisitos. Os serviços mínimos são o tal equilíbrio entre o direito à greve, o direito à vida e o direito à saúde".

"É que quem promove o "crowdfunding" é um movimento cívico, um movimento cívico não pode declarar greve. O "crowdfunding" é legalmente previsto para alguém reunir fundos para desenvolver certa atividade. Legalmente, não pode um movimento cívico substituir-se ao sindicato", apontou.

A nova Lei de Bases da Saúde

Marcelo pronunciou-se ainda sobre a nova Lei de Bases da Saúde: recusou a ideia de veto e defendeu uma proposta "flexível" e "estável". "Não há veto prometido nenhum, mas esta proposta não fica muito longe do texto que foi originalmente falado", disse sobre a proposta que deu entrada na Assembleia da República a 13 de dezembro de 2018.

Independentemente da posição ideológica, o presidente voltou a defender que o documento final deve conter melhorias significativas para o Sistema Nacional de Saúde. A atual lei de bases é de 1990. "Eu como presidente quero ter alternativas e essa foi sempre a minha preocupação ao longo do tempo".

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