Graça Freitas na AR. Linha SNS24 foi preocupação unânime

Num tom cordato, a diretora-geral da Saúde foi esta tarde questionada na AR sobre medidas de combate ao covid-19. Anunciou mais enfermeiros para a Linha SNS24 mas sem quantificar

A ministra da Saúde estará quarta-feira de manhã na respetiva comissão parlamentar, a falar do covid-19 mas também de outras questões do seu ministério - e deverá ser para esse momento que os partidos da oposição reservam uma atitude mais agressiva.

Esta terça-feira à tarde a diretora-geral da Saúde esteve na mesma comissão, a requerimento do PSD, e basicamente Graça Freitas foi presenteada com um passeio no parque. Perguntas foram muitas - numa audiência que durou pouco mais de uma hora e meia - mas o registo geral foi cordato.

Em representação do partido que pediu a reunião, o deputado Ricardo Batista Leite - médico ele próprio - deu o tom geral da reunião, sendo aliás o primeiro deputado a intervir.

"Queria de médico para médico agradecer-lhe todo o empenho", afirmou, depois de considerar que "informação e conhecimento são a única vacina que temos".

Reiteradamente, o deputado social-democrata perguntou à diretora-geral que apoio é que esta precisa do Parlamento, nomeadamente para medidas legislativas que possibilitem quarentenas compulsivas para pessoas que não apresentem sinais da doença ou para reforços orçamentais visando a contratação de mais médicos.

Comum a todas as perguntas dos deputados foi a questão da suposta falta de capacidade de resposta da Linha SNS24 (808 24 24 24).

A diretora-geral respondeu, no essencial, que vão ser contratados mais enfermeiros para o atendimento - mas sem adiantar números.

Também acrescentou que neste momento a linha já atende mais de dez mil chamadas por dia - que era o que estava contratado. Aliás, houve um dia em que as chamadas foram quase o triplo (28 mil). Também revelou que o número de chamadas possíveis de ser atendidas em simultâneo sextuplicou: eram 200 e já podem ser 1200.

Segundo afirmou, "o virus é extremamente democrático" e em tese "todos os cidadãos do planeta podem ser atingidos", independentemente de serem ricos ou pobres.

Depois salientou a imprevisibilidade da epidemia: "Não temos todas as variáveis do conhecimento para saber como isto evoluirá" e assim, da parte das autoridades de saúde, "a adaptação é constante - à hora, ao dia".

Há porém algumas certezas: em espaços fechados e coletivos a disseminação pode ser "terrífica" e portanto "muitas destas situações terão de ser tratadas em casa". "80% das pessoas que têm uma infeção ligeira podem ter a situação ser resolvida em casa."

Insistentemente, a diretora-geral elogiou a capacidade de resposta do SNS: "Temos um bom dispositivo de saúde pública, tenho imenso orgulho nas autoridades de saúde nacionais", afirmou, elogiando ainda as ordens profissionais pela colaboração que têm dado no estudo de medidas a adotar. "Toda a gente percebeu que estamos a viver uma situação excepcional."

"A formação de profissionais" tem sido "feita a nível local" e no próximo fim de semana haverá "formação para os bombeiros em todos os distritos".

Para Graça Freitas, "os lares [de idosos] são uma grande preocupação" e por isso deve-se, por exemplo, pedir ajuda à GNR, "um excelente serviço de proximidade" com a terceira idade.

De todos os 41 infetados, disse, só "um doente merece particular atenção especial" por causa do seu estado clínico.

Genericamente, "os portugueses têm aderido bem às necessidades de quarentena". "De um modo geral a população tem estado tranquila e todos devemos fazer para que assim continue."

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