De Balsemão a Cavaco. Testemunhos sobre Sá Carneiro

Livro elaborado pela JSD, lançado esta sexta-feira, pretende homenagear o político quando se assinalam 40 anos da sua morte. O DN escolheu alguns trechos dos depoimentos de figuras que privaram ou que foram inspiradas pelo fundador do PSD.

Esta sexta-feira, no dia em que se cumprem 40 anos da morte de Francisco Sá Carneiro, a JSD assinala a data com o lançamento do livro 40 Anos, 40 Testemunhos.

Para Alexandre Poço, líder da JSD, esta é uma forma de "homenagear de forma especial e singular" o fundador do partido fundador, "que sempre teve um carinho e uma admiração muito grande pelos jovens do partido e sempre foi uma fonte de inspiração para a JSD.

"Quarenta anos da sua morte exigia da nossa parte como imperativo que assinalássemos esta data do seu trágico desaparecimento com uma iniciativa especial. Procurámos invocá-lo através de personalidades da sociedade portuguesa, muitas delas que conheceram e privaram de perto com ele, mas também personalidades que não o tendo conhecido também bebem do seu legado", completou Alexandre Poço ao DN.

Aqui ficam alguns dos 40 testemunhos

"Sá Carneiro nunca disse e atrevo-me a afirmar que, em termos gerais, nunca pensou: "Eu é que sei, os outros não percebem nada disto." O que não significa que encontrasse grande disponibilidade para os maçadores, os medíocres, os lisonjeadores profissionais e os intriguistas. Sá Carneiro teve sempre a coragem de dizer o que pensava, de atuar em conformidade e de várias vezes, correr isolado o risco dessa atuação. E de, na maioria dos casos - não sempre como é evidente -, ter razão. Ter razão, no tempo certo, antes dos outros, não antes de tempo, que é o pior que pode acontecer a qualquer político. O cavaleiro solitário sabia, porém, funcionar em equipa, sabia chefiar grupos de trabalho, sabia que, para dar sequência à sua intervenção política, não podia refugiar-se na solidão, tinha de ir buscar, motivar e orientar outras pessoas."
Pinto Balsemão

"É bom que assim seja porque os jovens dos nossos dias estão cada dia mais longe da política e a ideia que dela têm é muito negativa. Cabe a cada um de vós mudar esta situação. Para tanto, há que fazer política como ele fazia, ver e viver a política como ele nos ensinou: a política é um serviço, a política é uma forma de participação na vida da comunidade da qual ninguém está dispensado, mas ser político é mais do que isso, é servir o nosso país, sempre com o interesse do bem comum como meta a alcançar, sempre com o homem no centro das nossas ações e decisões."
Conceição Monteiro

"Sá Carneiro era o oposto daqueles políticos portugueses - alguns até se dizendo socialistas - que muito trazem na boca a palavra de justiça social mas que, na ação concreta, pouco ou nada fazem por ela e agravam mesmo a iniquidade na distribuição do rendimento. Hoje, mais do que nunca, vale a pena revisitar o legado deixado por Sá Carneiro. Neste tempo de impasse e degradação em que a situação política do país parece mergulhada, os portugueses só terão a ganhar com a difusão da sua obra e do seu exemplo. O homem coerente e vertical que trouxe para a política nacional o sentido das convicções por que vale a pena lutar."
Cavaco Silva

"Sá Carneiro foi também o mais influente e decisivo dos fundadores do PPD/PSD, partido determinante da natureza do regime democrático e da sua inserção na União Europeia. O lastro político afirmado por Sá Carneiro antes de 1974 foi decisivo para o posicionamento e a definição do partido que fundou. Como chefe partidário, foi um homem mais de ruturas do que de compromissos. Alguns criticaram-no por revelar um pendor conflituoso, intolerante e algo autoritário, e um tanto errático na tática política. Dele conservo, no entanto, a imagem de um político determinado que gostava de separar águas e de assumir responsabilidades nas suas condições. Não era complacente e não se submetia à lógica do poder pelo poder, mas soube criar as condições para tornar o poder ao alcance da direita - o que parecia inimaginável ainda em tempos de Conselho da Revolução e apenas quatro anos após o 25 de Novembro."
Pedro Passos Coelho

Francisco Sá Carneiro era, acima de tudo, um lutador pela justiça, nas suas variadas dimensões, de que se destacam a liberdade e a igualdade de oportunidades. Por isso mesmo, também, não teria deixado de lutar pela reforma profunda do sistema eleitoral e pela clarificação das regras de funcionamento do sistema de governo. Falo destes aspetos porque de todos eles falei, muito, com Francisco Sá Carneiro, nomeadamente enquanto ia elaborando o seu segundo projeto de revisão constitucional. Lembremos que Francisco Sá Carneiro nunca viveu em democracia plena. Nasceu no regime de Oliveira Salazar e morreu quando ainda existia Conselho da Revolução. Por isso mesmo, foi sempre um combatente pela liberdade e morreu nesse combate."
Pedro Santana Lopes

"Tive e continuo a ter uma grande admiração por Francisco Sá Carneiro, um dos fundadores da nossa democracia, tanto pelo que fez antes do 25 de Abril como pelo que fez depois. Isto dito sem esconder a deceção que, a partir de finais de 1975 me começou a invadir e que me levou, em abril de 1979, a sair do seu partido."
Jorge Miranda

"Lembro as boas relações pessoais que tive com Francisco Sá Carneiro, em quem admiro as qualidades de lutador pelos valores da liberdade e da dignidade da pessoa humana e do político voluntarioso e determinado. Foram razões políticas que me levaram a sair do PSD a 4 de abril de 1979, continuando a respeitar as qualidades e a ação de quem teve um papel fundamental na institucionalização da democracia portuguesa. A notícia trágica da sua morte tocou-me profundamente. E fica para sempre a memória sentida de um convívio inesquecível."
Guilherme d'Oliveira Martins

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