António Costa. "O nosso lema volta a ser emprego, emprego, emprego"

O líder do PS apresentou esta manhã aos deputados do PS o plano de recuperação económica e de resiliência. António Costa sublinhou que o governo recupera o lema "emprego, emprego, emprego" como a base de todo o investimento nos próximos dez anos, com os fundos da União Europeia. E avisou que não pode haver "hesitações".

António Costa deu aos deputados do PS, mas também às outras forças políticas, um conjunto de recados ao apresentar o programa de recuperação económica até 2030, que entregará dia 14 em Bruxelas. Sobretudo o de que o país não aguenta andar enredado em dúvidas sobre a estratégia de aplicação das verbas que virão da União Europeia para ajudar a mudar o país e a sair da crise económica e social desencadeada pela pandemia.

"Temos de ter absoluta confiança naquilo que vamos fazer. A pior coisa que nos podia acontecer era iniciarmos este ciclo na situação tão critica em que estamos e darmo-nos ao luxo de passar os próximos dez anos a hesitar e a ter dúvidas", disse António Costa esta manhã de terça-feira (22 de setembro), nas jornadas de trabalho do grupo parlamentar do PS, que está a decorrer no Centro Cultural de Belém.

"Se quisermos fazer nos próximos dez anos aquilo que fizemos nos últimos 50 anos a propósito do aeroporto de Lisboa, teremos gasto muito dinheiro em muitos estudos e não teremos feito nada de efetivamente concreto que altere a realidade do país"

Costa lembrou que este programa, pela sua natureza excecional e "desejavelmente" irrepetível" - que terá de ser executado até 2026 - "tem de ter a absoluta confiança" dos cidadãos e, foi assim, que justificou a escolha de Costa Silva para o desenhar, um empresário de provas dadas. Frisou que é um programa que será executado neste legislatura, mas ainda em duas outras, nas quais poderão estar no poder outras forças políticas e outros governos.

"Se quisermos fazer nos próximos dez anos aquilo que fizemos nos últimos 50 anos a propósito do aeroporto de Lisboa, teremos gasto muito dinheiro em muitos estudos e não teremos feito nada de efetivamente concreto que altere a realidade do país. Não podemos perder tempo", deu como exemplo. Fez ainda apelo à "urgência" na resposta à crise social e económica. "Não podemos perder tempo", disse e recordou os milhares de postos de trabalho perdidos e a perder e a quebra de rendimentos para muitas famílias.

"É um programa extraordinário para responder à crise económica que estamos a viver e sabemos que é um recurso que não é repetível. Temos de escolher projetos que possam ter um efeito económico imediato, na recuperação e manutenção do emprego e que possam ter um efeito estruturante no futuro, que não sejam medidas recorrentes que podemos financiar por outras vias", disse.

E indo à fonte, o programa, Costa destacou os três blocos essenciais de intervenção: as vulnerabilidades sociais , que se tornaram transparentes com a pandemia; a necessidade de aumentar o potencial produtivo; e a competitividade e resiliência do território.

"É um programa extraordinário para responder à crise económica que estamos a viver e sabemos que é um recurso que não é repetível. Temos de escolher projetos que possam ter um efeito económico imediato, na recuperação e manutenção do emprego e que possam ter um efeito estruturante no futuro, que não sejam medidas recorrentes que podemos financiar por outras vias"

Nas vulnerabilidades sociais vai ser dada prioridade ao Serviço Nacional de Saúde, em particular com a reforço da rede de cuidados integrados e de cuidados primários; a habitação, sobretudo para as Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto, onde de concentraram o maior número de casos de covid-19; e novas respostas sociais, em muito vocacionadas para os mais velhos, com a requalificação dos lares, entre outras. "Queremos chegar aos 50 anos do 25 de Abril e assegurar que há habitação para as 26 mil famílias que vivem em condições indignas", assegurou Costa, tal como garantir respostas para as vítimas de violência doméstica e para o acolhimento dos imigrantes.

Para reforçar o potencial produtivo, o secretário-geral do PS elegeu como prioridades o investimento nas qualificações e o apoio às empresas para a inovação, o que deverá ser "casado" com todo o conhecimento científico produzido no País. "Em vez de andarmos à procura de uma nova Autoeuropa", disse. No que diz respeito à coesão territorial, a aposta vai ser num grande plano de investimento no interior e nas unidades industriais do Norte.

O terceiro eixo do programa é o da aceleração da transição climática e digital. No capítulo do investimento na melhoria das condições climáticas nacionais, Costa destacou a mobilidade sustentável, a descarbonização da indústria e os biorresíduos. Já sobre a aposta na área digital, todas as fichas vão para a escola, com total à rede, os equipamentos e a formação dos docentes, tal como serão incorporados nos programas letivos a aprendizagem das linguagens digitais. Mas também se aposta nas empresas e na sua capacitação digital e na formação dos recursos humanos. "Muitas das tarefas serão desempenhadas pelos robôs, mas é preciso dar formação aos humanos para comandarem esses robôs para que ninguém fique para trás". Costa destacou ainda o investimento na Função Pública, sobretudo em três áreas:saúde, segurança social e sistema de justiça.

"Este plano tem de investir nas empresas e nas pessoas e por isso precisa de um Estado mais robusto e mais eficiente", afirmou o líder socialista, manifestando a esperança que a União Europeia aprove rapidamente as verbas e os programas para começarem a ser executados. Não se se esquecer de frisar que teremos disponíveis verbas que são mais do dobro do que em média executávamos por anos em fundos comunitários, que eram da ordem dos 3,3 mil milhões de euros e passam a 6,4 mil milhões. "É uma enorme oportunidade, mas é uma gigante responsabilidade", que "tem de mobilizar todos".

O desígnio que disse prosseguir é o de "vencer a crise e deixar um país melhor do que de fevereiro de 2020 quando esta crise nos atingiu".

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