Agressões a médicos. Ministério da Saúde está "a estudar medidas" para proteger profissionais

"O Ministério da Saúde está a acompanhar com bastante preocupação estes atos de violência contra profissionais de saúde e encontra-se a estudar medidas", diz a tutela. Sem adiantar quais. Nos primeiros seis meses do ano, foram apresentadas mais de 600 queixas de agressões contra médicos, enfermeiros e outros profissionais.

Em menos de uma semana, dois médicos foram agredidos por utentes. O último caso relatado aconteceu a 31 de dezembro e foi conhecido esta quinta-feira. Ordem e sindicatos pedem ação ao ministério, que garante estar a acompanhar a situação e a estudar medidas para proteger médicos, enfermeiros, assistentes operacionais.

"O Ministério da Saúde está a acompanhar com bastante preocupação estes atos de violência contra profissionais de saúde e encontra-se a estudar medidas", respondeu, ao DN, o gabinete de Marta Temido. Para já, sem adiantar de que medidas se tratam.

As agressões a profissionais de saúde estão a aumentar. Só nos primeiros seis meses de 2019, foram registadas pela Direção-Geral de Saúde mais de 600 queixas por episódios de agressão. A classe mais afetada é a dos enfermeiros, depois a dos médicos. E as justificações mais apresentadas são: o assédio moral (57%), violência verbal (13%) e violência física. O ano passado revelou um aumento das notificações de violência contra profissionais de saúde, que desde 2013 já conta com 4 893 queixas relatadas.

"E estamos a falar de uma situação que toda a gente sabe que é pouco reportada. O número de queixas que são efetivamente concretizadas, quer para a polícia, quer para a Direção-Geral de Saúde, ficam aquém das reais. Principalmente, pelo sentimento de impunidade dos agressores. Não se compreende como é a maioria destas situações não tenham sido colocadas perante um juiz e não tenha sido aplicada uma medida de coação", reagiu o secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos, Jorge Roque da Cunha, ao DN.

No caso denunciado, esta quinta-feira, um médico de família, de 66 anos, foi agredido com "socos" e pontapés", no Centro de Saúde de Moscavide, depois de se ter recusado a prolongar uma baixa médica a um jovem de 21 anos. "Pretendia que lhe desse uma vacina para a gripe (porque um primo tinha feito a vacina), e lhe passasse uma renovação da baixa, retroativa a 26/12/2019", contou o clínico, Vítor Manuel Silva Santos, na rede social Facebook. Mas, depois de consultar o processo do utente, o profissional percebeu que o jovem não tinha levantado nenhum dos medicamentos que lhe foram prescritos no último ano.

Perante a recusa do médico em não aceder ao seu pedido, o jovem "começou por pegar no teclado do computador e atirá-lo contra a secretária, partindo-o". O mesmo aconteceu com o telefone e depressa atingiu o clínico. "Com a ajuda da namorada, que me segurava, agrediu-me com vários socos e pontapés, um dos socos no olho direito e um pontapé na grelha costal", descreveu o clínico.

Dias antes, durante a madrugada de dia 27 de dezembro, sexta-feira, uma médica do Hospital São Bernardo, em Setúbal, foi agredida por uma utente quando prestava serviço de urgência. A mulher entrou no gabinete da médica e agrediu-a com violência, tendo causado um ferimento num olho que obrigou a profissional de saúde a fazer uma pequena cirurgia no Hospital de São José, em Lisboa.

"Absolutamente inaceitável", classificou a Ordem dos Médicos no dia seguinte, pedindo também a intervenção urgente das entidades governamentais e judiciárias.

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