Liderança do CDS? "Não estava nos meus planos, mas...", diz João Almeida

O deputado, eleito por Aveiro, escreveu que "CDS teve derrota estrondosa". "O resultado é de tal forma mau que obriga a repensar o partido todo". Para já, leva moção ao congresso e pondera candidatura. "Sinto essa obrigação."

João Almeida admitiu esta segunda-feira ao DN que, depois de Assunção Cristas se retirar de uma futura disputa da liderança centrista, terá de ponderar uma eventual candidatura para presidente do CDS. Não estava nos planos, não tinha vontade, mas as circunstâncias impõem-se.

Com apenas cinco deputados eleitos - Assunção Cristas e Ana Rita Bessa, em Lisboa; Cecília Meireles, no Porto, Telmo Correia, por Braga, e o próprio João Almeida, reeleito em Aveiro - e a líder demissionária, o porta-voz do partido é claro: "Restando quatro, qualquer um dos quatro têm de pensar" no futuro. "Confesso que não estava nos meus planos", explicou-se, reiterando que "continua" a não estar no seu horizonte imediato uma candidatura, mas "seria irresponsável" colocar-se já de fora, "da maneira que as coisas estão". "Sinto essa obrigação."

Para já, João Almeida vai avançar com uma moção ao congresso extraordinário, para escolher um novo líder, como já fez nos dois últimos congressos. "O resultado é de tal forma mau que obriga a repensar o partido todo", da organização interna à comunicação e participação dos militantes, justificou-se ao DN.

Na página do seu Facebook, na madrugada desta segunda-feira, João Almeida já tinha disparado: "Foi uma derrota estrondosa do CDS e em democracia estes resultados não acontecem por acaso. É preciso não voltar a cometer os mesmos erros e encontrar o que faltou, causas e propostas que mobilizem as pessoas."

Segundo o porta-voz, nestas eleições, "falhou muita coisa", afirmou ao DN, pedindo tempo para essa análise. "Não são injustiças inexplicáveis", admitiu, que justificam "o pior resultado de sempre" - só comparável às duas maiorias absolutas de Cavaco Silva. Em 1991, o CDS teve então o mesmo número de deputados (cinco), com 254 317 votos (4,43%), contra os 216 448 votos deste domingo (4,25%). E também a 1987, com quatro deputados (e a expressão "partido do táxi" que se colou ao partido), quando o CDS chegou aos 251 987 votos (4,44%),.

Almeida diz-se surpreendido com o facto de a mensagem centrista não ter passado, sobretudo o reconhecimento pela oposição. "Não houve no eleitorado a perceção de uma razão forte para votar no CDS. Nem de reconhecimento pelo trabalho feito pelo CDS na oposição."

Nas eleições de domingo, ganhas pelo PS com maioria relativa, os centristas obtiveram 4,2% dos votos, o grupo parlamentar passou de 18 para cinco deputados e a líder do partido optou por demitir-se do cargo, convocando um congresso antecipado.

Em Aveiro, o CDS perdeu um dos dois deputados que tinha nas eleições de 2015, sendo João Almeida o único eleito do partido pelo círculo.

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