Sofia Ribeiro terminou quimioterapia e agradeceu o apoio

Atriz mostrou-se feliz mas admitiu que "a guerra ainda não está ganha"

"E foi assim, numa sala cheia de amor invadida por parte da família de loucos do meu coração, que celebramos o último dia, de cinco meses de quimio[terapia]", pode-se ler no início da publicação que Sofia Ribeiro partilhou na sua página de Facebook. Sofia anexou ainda uma fotografia com alguns amigos, entre eles Nuno Eiró e Iva Domingues.

A atriz admitiu que, apesar do fim da quimioterapia, "a guerra ainda não está ganha mas esta batalha finalmente termina". "Por mais que queira explicar o que este dia representa, só quem o vive sabe o que se sente na essência. Talvez um dia consiga explicar...", continuou.

"Isto já terminava? Já!! Não vejo a hora de voltar à minha vida "normal"? Não! Mas não sendo possível, ainda. Entre um trambolhão e outro, dias que parecem que isto nunca mais acaba, entre lágrimas, sorrisos, amor e felizmente muitas gargalhadas", revelou aos fãs que, na caixa de comentários, mostraram o seu apoio neste momento difícil da sua vida.

No final, Sofia Ribeiro dedicou a publicação "a todas as mulheres que passaram ou estão a passar por tudo isto sozinhas" e que "não são apenas filhas mas também mães". "A todas essas mulheres, o meu maior carinho e respeito. Vocês sim são o maior exemplo de força e coragem. Tenho a certeza que cada saquinho deste "veneno" que nos entra nas veias tem que conter 13 mil mililitros de felicidade eterna. Mais que merecidos!".

Sofia Ribeiro anunciou, em novembro do ano passado, que lhe havia sido diagnosticado cancro da mama. Desde aí, a evolução do tratamento tem sido divulgada nas redes sociais da atriz de 31 anos.

Exclusivos

Premium

Viriato Soromenho Marques

Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Agendas

Disse Pessoa que "o poeta é um fingidor", mas, curiosamente, é a palavra "ficção", geralmente associada à narrativa em prosa, que tem origem no verbo latino fingire. E, em ficção, quanto mais verdadeiro parecer o faz-de-conta melhor, mesmo que a história esteja longe de ser real. Exímios nisto, alguns escritores conseguem transformar o fingido em algo tão vivo que chegamos a apaixonar-nos por personagens que, para nosso bem, não podem saltar do papel. Falo dos criminosos, vilões e malandros que, regra geral, animam a literatura e os leitores. De facto, haveria Crime e Castigo se o estudante não matasse a onzeneira? Com uma Bovary fiel ao marido, ainda nos lembraríamos de Flaubert? Nabokov ter-se-ia tornado célebre se Humbert Humbert não andasse a babar-se por uma menor? E poderia Stanley Kowalski ser amoroso com Blanche DuBois sem o público abandonar a peça antes do intervalo e a bocejar? Enfim, tratando-se de ficção, é um gozo encontrar um desses bonitões que levam a rapariga para a cama sem a mais pequena intenção de se envolverem com ela, ou até figuras capazes de ferir de morte com o refinamento do seu silêncio, como a mãe da protagonista de Uma Barragem contra o Pacífico quando recebe a visita do pretendente da filha: vê-o chegar com um embrulho descomunal, mas não só o pousa toda a santa tarde numa mesa sem o abrir, como nem sequer se digna perguntar o que é...