"O meu pai devia ter lutado por mim e ficado comigo"

Éder, o novo herói de Portugal, protagonizou um "Alta Definição" emotivo este sábado na SIC, recordando a ausência do pai e da mãe durante a maioria da sua infância e adolescência

Foi um testemunho emotivo, aquele que Éder protagonizou no Alta Definição deste sábado, na SIC. Em entrevista a Daniel Oliveira, o autor do golo que ofereceu a vitória de Portugal no Euro 2016, e que o levou de "patinho feio" a herói nacional, falou abertamente sobre a relação distante com os pais, desde que foi entregue a instituições de caridade em Braga e Coimbra, aos cinco anos.

"Uma criança não percebe. Na altura, fiquei muito triste. Tive de me habitar muito rapidamente ao que se estava a passar, sem perceber o que se estava a passar. Até pode ter sido [a sua ida para as instituições] por questões financeiras", confessou o jogador de 28 anos, que nasceu na Guiné-Bissau e que em Portugal, onde chegou aos três anos, viveu primeiro com a mãe e depois com o pai.

Sobre a relação que mantém atualmente com os pais - o pai está preso há vários anos, em Inglaterra -, Éder confessa: "Falo com eles algumas vezes. Não falo todos os dias, nem todas as semanas, mas falo com eles", diz. Quando questionado sobre as memórias felizes que tem do pai e da mãe, o avançado frisa, depois de hesitar na resposta: "Tenho, tenho. Podiam ter sido mais, muito mais".

O autor do golo da vitória portuguesa na competição europeia que decorreu em França explica que "não se colmata a ausência" dos pais e que "esquecia as saudades" que tinha deles, quando esteve nos colégios. "Tinha miúdos com situações parecidas ou piores e foi a partir daí que, ao conviver com tantas crianças, me apoiei neles e eles em mim", diz Éder no Alta Definição, acrescentando ainda: "A mim passou-me pela cabeça que se calhar eu tivesse alguma culpa".

O jogador contou ainda que já falou com a mãe desde a vitória portuguesa deste domingo - "deu-me os parabéns e disse-me que estava orgulhosa" - e confessou que nunca recebeu um pedido de desculpas por parte do pai pela sua ausência. "Se devia? Acredito que sim", disse Éder, atirando ainda: "Ele devia ter lutado por mim e ficado comigo".

Apesar do que viveu na infância e adolescência, o jovem frisa que consegue criar laços com facilidade: "Sim, consigo. Tanto é que, nos últimos anos, criei muitos laços, até no futebol. Consegui ganhar muitos pais e muitas mães".

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