Luís Franco Bastos sobre morte dos pais: "A dor é inevitável, o sofrimento é opcional"

Luís Franco Bastos falou sobre a morte dos seus pais, sobre o "lado mais negro" da vida, sobre os seus sonhos e as melhores memórias de infância no programa da SIC Alta Definição.

Luís Franco Bastos foi o convidado de Daniel Oliveira no Alta Definição deste sábado. Durante grande parte da conversa, pôs de parte a sua faceta de humorista para falar de um dos momentos mais difíceis da sua vida: a morte da mãe, a 8 de março de 2014, o mesmo dia em que estreou um espetáculo. "Tive alguma racionalidade e força para minimizar os estragos desse dia e fazer o que tinha a fazer. Foi uma espécie de anestesia. Sabia que durante aquela hora e meia não ia estar a sofrer em palco, que ia sentir as gargalhadas das pessoas".

Perder a mãe fê-lo descobrir "uma lado mais negro" da vida. "Eu gostava de poder falar sobre esse lado em espetáculo, de fazer humor com isso, porque já consigo, mas as pessoas estão menos preparadas do que eu. Acho que a única coisa que podes fazer perante a morte é rir. É uma forma eficaz de purificar a alma e de exorcizar o espírito", frisou o humorista de 27 anos, para quem "a dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional".

O seu pai, de quem também guarda as melhores recordações, morreu dois meses após a sua mãe. "São duas feridas, que acabaram por se transformar numa só. Como duas nódoas, que se alastram tanto que ficam uma só", explicou.

No decorrer do programa, para além de recuperar algumas das suas mais famosas imitações - Cristiano Ronaldo, Bruno Nogueira, Alberto João Jardim, Marcelo Rebelo de Sousa, Simão Sabrosa, entre outros - Franco Bastos abordou também outros temas com mais seriedade, como a adoção por parte de casais homossexuais. "Quem acha que duas pessoas que gostam uma da outra não devem poder dar o seu amor a uma criança, independentemente de serem dois homens ou duas mulheres, é porque nunca teve de viver sem pais", defendeu.

Sobre a sua "patologia nas cordas vocais", disse que começou quando era criança, "porque achava que cada boneco tinha que ter uma voz diferente". "Foi quando comecei com as imitações. Nunca perdi essa criança interior e acho que isso é essencial. Aliás, gosto muito da frase 'Um adulto criativo é uma criança que não se perdeu'".

Luís Franco Bastos estreou-se no Coliseu do Porto a 31 de março e fará o mesmo em Lisboa, a 29 de abril. "É um desejo muito antigo, é algo para o qual trabalhei toda a vida". Mas advertiu que, nos seus espetáculos, "haverá sempre duas cadeiras vazias ocupadas".

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