Natalie Portman: "Vivi um ambiente de terrorismo sexual com 13 anos"

Atriz revelou as dificuldades por que passou no início da carreira, quando se estreou no filme "Leon, o Profissional"

A atriz Natalie Portman revelou no passado sábado que, com apenas 13 anos, e logo após ter-se estreado como atriz num papel de relevo, vivia num "ambiente de terrorismo sexual" motivado pela crítica e pela forma como os fãs se lhe dirigiam.

Portman marcou presença na segunda Marcha das Mulheres, que se realizou um ano depois da primeira. Em 2017, a marcha foi convocada por ativistas em defesa dos direitos cívicos e contra o presidente Donald Trump, que tinha tomado posse no dia anterior; em 2018, as mulheres voltaram a marchar em janeiro, contra Trump e para sensibilizar para a violência sexual.

A atriz, que é um dos rostos do movimento Time's Up, contra a agressão sexual e discriminação, subiu ao palco em Los Angeles para falar sobre os traumas que sofreu no início da carreira na indústria cinematográfica.

Tendo começado com apenas 13 anos, no filme Leon, o Profissional, Portman contou perante a audiência que a primeira carta de um fã que recebeu era uma fantasia de um homem que sonhava violá-la, e revelou também que uma rádio local começou uma contagem decrescente para os seus 18 anos, data em que já seria legal dormir com ela; muitos dos críticos mencionavam ainda o seu "peito incipiente". "Entendi muito rapidamente que, ainda que tivesse 13 anos, se queria expressar-me por mim mesma estaria pouco segura e que os homens achavam que tinham o direito de discutir e objetificar o meu corpo, embora eu não estivesse confortável com ele".

A atriz assegurou mesmo que chegou a alterar comportamentos e a recusar papéis que incluíssem beijos, tendo enfatizado o lado mais "intelectual e sério". "Com 13 anos, a mensagem da nossa cultura foi clara: senti a necessidade de tapar o corpo, de inibir as minhas emoções e o meu trabalho para enviar uma mensagem ao mundo de que era alguém que merecia respeito e segurança. A resposta a essa forma de ser, desde pequenos comentários sobre o meu corpo a frases muito mais ameaçadoras, serviram para controlar o meu comportamento num clima de terrorismo sexual", sublinhou.

Natalie Portman esteve na Marcha das Mulheres em Los Angeles, EUA, com outras atrizes, como Eva Longoria ou Viola Davis, e marchou ao lado da senadora democrata Kamala Harris.

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