Mais 157 novos casos e três mortes. Lares registam 745 infetados

O boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde aponta que o total de infetados no país é de 52 825 e que já se registaram 1759 mortes. A semana passada, entre 2 e 8 de agosto, terminou "com menor número de infeções" desde 15 de março.

Morreram mais três pessoas e foram confirmados mais 157 casos de covid-19 em Portugal nas últimas 24 horas. Segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS) desta segunda-feira (10 de agosto), no total, desde que a pandemia começou, registaram-se 52 825 infetados, 38 600 (mais 89) recuperados e 1759 vítimas mortais no país.

A semana passada foi a que registou uma maior diminuição do número de infetados desde 15 de março, segundo o secretário de Estado da Saúde. Houve menos 94 casos do que na semana anterior, referiu António Lacerda Sales, considerando que "são números que dão alento mas reforçam que é preciso continuar com esta caminhada longa e com obstáculos."

No país há agora 12.484 casos ativos de covid-19. Nos hospitais estão internadas 374 pessoas (mais oito) mas nas unidades de Cuidados Intensivos estão agora menos quatro doentes; são 29 contra 33 de domingo. Também é preciso recuar até março para encontrar números tão baixos de doentes internados em cuidados intensivos.

O número de recuperados é agora de 38600, o que significa que mais 89 pessoas recuperaram em relação ao dia anterior.

No caso das mortes, as três registadas ocorreram em Lisboa e Vale do Tejo, todos homens com idades entre os 60 e os 89 anos. Nos novos casos, Lisboa e Vale do Tejo continua a ser a região com mais incidência de covid-19: regista hoje mais 99 casos (63%), o Norte tem 45, o Centro seis, o Alentejo 3 e o Algarve e Açores registam cada dois novos casos.

Por faixas etárias, dos 157 novos casos apenas seis são do grupo dos 70 aos 79 anos. São as pessoas com idades entre 20 e 59 anos que fazem engrossar o número de infetados. Foram 104 casos registados nesta segunda-feira.

Relativamente aos lares, Lacerda Sales informou que existem atualmente casos ativos em 72 estabelecimentos, com 545 utentes e 200 profissionais infetados. O responsável admitiu que continuam a surgir novos focos.

Rui Portugal, sub-diretor geral de Saúde, explicou que as principais situações ocorrem no lar de São José, no Barreiro com 30 utentes e 14 profissionais infetados (de um universo total de 124 pessoas), e do lar de Nossa Senhora da Luz, em Torres Vedras, onde há 74 casos positivos (49 são utentes) dos quais 28 estão internados.

A proibição de visitas, referiu o responsável, não está a ser equacionada como medida a nível nacional mas deverá ser tomada regional e localmente quando se justificar.

Há 164 surtos em Portugal

Portugal tem nesta altura 164 surtos de covid-19, com Lisboa e Vale do Tejo a registar a maior concentração, com 84, o Norte tem 41, o Centro 10, o Alentejo 13 e o Algarve 17. Rui Portugal apontou que " transmissão da doença alterou-se", deixando de ser sobretudo profissional e social e sendo agora mais de origem familiar, fator que é elemento de transmissão em metade dos surtos.

A Festa do Avante começou esta segunda-feira a ser discutida por DGS e pelo Partido Comunista Português, organizador do evento previsto para o início de setembro. António Lacerda Sales garantiu que a decisão a tomar será técnica. "A DGS não toma decisões políticas." Referiu que "há muitas questões que ainda não conhecemos e têm que ser discutidas". É o caso da lotação, das atividades previstas, dos acesso, entre outras. O secretário de Estado assegurou que há um pressuposto que terá de ser cumprido - as regras sanitárias em vigor no pais.

De resto sobre as regras para os grandes eventos, António Lacerda Sales disse que a estratégia é para manter: avaliar caso a caso. "A cada uma das situações adotam-se e adequam-se realidades diferentes", afirmou, seguro que a abordagem "tem dado bons frutos e resultados".

Nesta linha de pensamento, Rui Portugal referiu que a abertura de espaços de diversão noturna, como bares e discotecas, estará sempre dependente de uma avaliação, que pode ser caso a caso. "Exige um grande cuidado na sua avaliação", respondeu quando questionado se era viável a DGS emitir pareceres para cada espaço. No contexto das regras já em vigor, "todas as situações são analisadas", assegurou realçando contudo que as infraestruturas são importantes mas não indicam o mais relevante. Num espaço de grande dimensão, o que importa é o que se irá fazer lá. "É como vamos utilizar esse espaço numa situação de pandemia" que é o mais importante, apontou.

Lar do Porto com 46 casos

Nesta segunda-feira, o número de casos de covid-19 confirmados num lar do Porto subiu de 44 para 46, aumentando para dez os internados, adiantou a Administração Regional de Saúde do Norte (ARSN), segundo a qual o "surto está controlado".

Em declarações à agência Lusa, fonte oficial da ARSN indicou que entre os casos confirmados de infeção pelo novo coronavírus na residência sénior Montepio da Rua do Breiner, no Porto, estão "34 residentes infetados e 12 profissionais".

Já o número de internamentos registados aumentou de oito para dez, tendo-se os dois novos internamentos registado no grupo dos "profissionais de saúde".

A nível mundial, o contágio continua a progredir em muitos países. Os Estados Unidos registaram cinco milhões de casos de covid-19, desde o início da epidemia, de acordo com uma contagem independente da Universidade Johns Hopkins. A primeira potência económica mundial é de longe a mais atingida em todo o mundo pela doença causada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2), com mais de 162 mil óbitos.

Na Austrália, no estado de Vitória, foram registadas 19 mortes, o maior número diário, mas os novos casos (337) baixaram pela primeira desde 29 de julho. O país registou, até ao momento, cerca de 21 400 casos de infeção e 314 mortes por covid-19.

Máscara obrigatória em Paris

Em França, o uso de máscara no exterior passou a ser obrigatório em algumas áreas movimentadas da cidade de Paris e da região. "Todos os indicadores mostram que o vírus voltou a circular de forma ativa na região" parisiense, escreveram as autoridades em comunicado. O uso de máscara é obrigatório para maiores de 11 anos.

Na capital, as áreas em causa são, particularmente, o cais do rio Sena e mais de uma centena de ruas em quase todos os bairros. "Trata-se de zonas turísticas, feiras ao ar livre ou ruas muito comerciais, como o cais do Sena, o canal Saint-Martin" e também "Butte Montmartre, [zona] muito turística", explicou à agência France-Presse Nicolas Nordman, o vereador de segurança da Câmara Municipal de Paris.

"Os critérios são os locais onde existem pessoas, onde é difícil respeitar o distanciamento e locais de celebração, onde poderá ter havido um relaxamento das barreiras" de prevenção nas últimas semanas, acrescentou.

Num primeiro momento, "vai haver pedagogia, a obrigatoriedade vai ser lembrada durante 15 dias às pessoas que entrarem na área em causa e as multas (135 euros) vão ocorrer num segundo momento", indicou.

"A incidência [da infeção] é particularmente alta na casa dos 20-30 anos. Também é maior em Paris e nos departamentos dos subúrbios como Seine-Saint-Denis, Vale do Marne, Altos do Sena e Val-d'Oise", apontou.

A decisão de tornar o uso de máscara obrigatório nas áreas mais frequentadas foi tomada com base nas recomendações formuladas pela agência regional de saúde da região de Île de France.

Quase 20 milhões de infetados

Mais de 19,92 milhões de pessoas foram infetadas com covid-19 em todo o mundo e 729 883 morreram.

As infeções foram relatadas em mais de 210 países e territórios desde que os primeiros casos foram identificados na China, em dezembro de 2019.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.

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