51.072 infetados e 1.735 mortes. 2,9% da população imune. "Temos nível baixo de anticorpos"

O boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde indica que há mais oito mortos e 204 casos de covid-19 a registar em Portugal. No total, o país soma 51.072 infetados desde o início da pandemia.

Em Portugal, nas últimas 24 horas, registaram-se mais 204 casos confirmados de covid-19 (um aumento de 0,4%) e mais oito mortes. Segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS), divulgado esta sexta-feira (31 de julho), o país soma agora mais de 51 mil infetados (51.072) e 1.735 óbitos desde o início da pandemia.

Dos 204 casos, 128 foram registados em Lisboa e Vale do Tejo, o que representa 62,75% do total nacional de novas infeções. As oito mortes reportadas no último dia ocorreram nesta região.

Uma das vítimas mortais é uma mulher que tinha 39 anos - há agora quatro óbitos na faixa etária entre os 30 e os 39 anos. Na conferência de imprensa sobre a pandemia em Portugal, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, afirmou que não é frequente a mortalidade nestas idades, mas neste "caso havia patologia associada e um facto que começa a ser observa na mortalidade de pessoas relativamente jovens que é a presença de obesidade".

País tem 194 surtos ativos, 106 em Lisboa e Vale do Tejo

A taxa de letalidade situa-se nos 3,4% e acima dos 70 anos é de 16%, indicou a ministra da Saúde.

Marta Temido revelou que há 194 surtos ativos no país, dos quais 47 na região Norte, 12 no Centro, 106 em Lisboa e Vale do Tejo, 14 no Alentejo e 15 no Algarve.

Nos últimos sete dias, a taxa de incidência do vírus é de 13,4 novos casos por cada 100 mil habitantes, indicou a ministra. Já nos últimos 14 dias, a taxa de incidência é de 29,1 novos casos por 100 mil habitantes, acrescentou.

A ministra referiu ainda que o índice do risco de transmissão (RT) "nacional é de 0,94%".

Há 381 doentes hospitalizados (menos 22 em relação a quinta-feira), dos quais 41 (menos um) estão internados em unidades de cuidados intensivos.

O boletim da DGS indica que há mais 343 pessoas que recuperaram da doença para um total de 36.483.

Atualmente, o número de casos ativos passa para os 12.854, menos 147 face ao dia anterior.

A região de Lisboa e Vale do Tejo soma agora, no total acumulado, 26.067 casos de covid-19. Logo a seguir o Norte contabiliza 18.675 infeções (mais 49 casos), a região Centro tem 4.439 (mais quatro). O Algarve tem mais cinco casos, para um total de 883, e o Alentejo tem 734 casos, mais 17 do que no dia anterior.

Nos Açores, contam-se 168 casos, mais um do que na quinta-feira, e a Madeira mantém os 106 casos.

A região Norte continua a registar o maior número de mortes (828), seguida da região de Lisboa e Vale do Tejo (604), o Centro (252), Alentejo (21), Algarve (15) e Açores (15).

Do total das vítimas mortais, 868 são mulheres e 867 são homens.

Por faixas etárias, o maior número de óbitos concentra-se nas pessoas com mais de 80 anos (1.163), seguidas das que tinham entre 70 e 79 anos (337), entre 60 e 69 anos (154) e entre 50 e 59 anos (55). Há ainda 20 mortos registados entre os 40 e 49 anos, quatro entre os 30 e 39 e dois entre os 20 e 29 anos de idade.

Em termos globais, há mais infetados na faixa etária entre 40 e 49 anos (8.471), depois entre 30 e 39 anos (8.338), 20 e 29 anos (7.819), 50 a 59 anos (7.735), seguida das pessoas com mais de 80 anos (5.827).

Inquérito serológico conclui que 2,9% da população é imune ao novo coronavírus

Na conferência de imprensa sobre a evolução da pandemia foram revelados os resultados do primeiro Inquérito Serológico Nacional Covid-19. "Portugal regista uma seroprevalência global de 2,9% de infeção pelo novo coronavírus na sua população [perto de 300.000 pessoas]", refere em comunicado o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), promotor do estudo.

A seroprevalência foi mais elevada nas pessoas que relataram ter tido um contacto prévio com um caso suspeito ou confirmado de covid-19 (22,3% versus 2,0%) e naqueles com sintomatologia compatível com a doença - febre, arrepios, astenia, odinofagia, tosse, dispneia, cefaleias, náuseas/vómitos e diarreia - (6,5% contra 2,0%).

Cerca de 44% das pessoas com anticorpos específicos contra o novo coronavírus não referiram qualquer sintoma anterior de covid-19.

"Foi analisada uma amostra de 2301 pessoas", com mais de um ano de idade, disse Ana Paula Rodrigues, coordenadora do Inquérito Serológico Nacional COVID-19. "Foram encontrados anticorpos em cerca de 2,9% das pessoas envolvidas no inquérito serológico. Lisboa e Vale do Tejo verificou-se um valor mais alto, 3,5%", referiu a especialista aos jornalistas.

Relativamente à distribuição por sexo, o estudo indica que a seroprevalência estimada foi mais elevada nos homens (4,1%) do que nas mulheres (1,8%).

Os "anticorpos garantem algum tipo de proteção", mas devem manter-se as medidas de precaução, acrescentou Ana Paula Rodrigues. "Temos um nível baixo de anticorpos na sociedade portuguesa", afirmou.

Ana Paula Rodrigues disse que vão ser realizados mais estudos, com outras características. "A prioridade nesta altura será manter esta vigilância do nível de anticorpos na população portuguesa, ou seja, repetir estudos deste género, com amostras de dimensão diferentes".

A coordenadora do inquérito serológico explicou que "diversos modelos matemáticos" apontam que é preciso que 40 a 70% da população fique imune para que haja imunidade de grupo.

"Não sabemos se é possível alcançar estes valores", disse Ana Paula Rodrigues, do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge.

OMS pede cautela na retoma das viagens

Devido à pandemia, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou, esta sexta-feira, um documento em que apela à cautela nas viagens e alerta para o facto de não existir "risco zero".

"O levantamento gradual das viagens (ou restrições temporárias) deve ser baseado numa avaliação completa dos riscos, levando em consideração o contexto do país, os padrões locais de epidemiologia e transmissão, as medidas nacionais de saúde e sociais para controlar o surto e as capacidades dos sistemas de saúde nos países de partida e de destino, inclusive nos pontos de entrada", referiu a OMS.

Na retoma das viagens deve dar-se prioridade às de emergência, humanitárias e de repatriamento e é desaconselhando a saída de idosos ou doentes crónicos para áreas com transmissão comunitária de covid-19, recomenda a agência das Nações Unidas.

Na quinta-feira, o Governo português fez saber que há novas regras para quem pretende viajar de avião de e para Portugal e que vão entrar em vigor a partir das 00:00 de sábado, 1 de agosto.

O Ministério da Administração Interna informou que continua aberto o tráfego aéreo com os países que integram a União Europeia, os países associados ao Espaço Schengen (Liechtenstein, Noruega, Islândia e Suíça) e o Reino Unido.

Passageiros têm de apresentar teste negativo à covid-19

O Governo duplicou o número de países externos à União Europeia e ao Espaço Schengen que podem ter ligações aéreas regulares de e para Portugal por apresentarem um quadro epidemiológico positivo.

Os passageiros continuam a dever apresentar um teste negativo de rastreio à covid-19, realizado nas 72 horas anteriores à partida. Esta medida é excecionada aos que estejam em trânsito e não tenham de deixar as instalações aeroportuárias.

"Os cidadãos nacionais e estrangeiros com residência legal em Portugal e ainda o pessoal diplomático acreditado em Portugal que, a título excecional, não apresentem aquele comprovativo terão de fazer o teste à chegada, em instalações no interior do aeroporto, e a expensas próprias", explica. Caso estes se recusem a fazer o teste à chegada incorrem nos crimes de desobediência e propagação de doença contagiosa.

Relativamente aos cidadãos estrangeiros "será recusada a entrada em território nacional de todos os passageiros que embarcarem sem o teste realizado, sendo a companhia aérea objeto de uma contraordenação em caso de incumprimento", precisa a nota.

África vai ultrapassar um milhão de casos "nos próximos dias", avisa OMS

A pandemia provocada pela covid-19 provocou a morte de pelo menos 673.909 pessoas e infetou 17.352.910 em todo o mundo, segundo o último balanço feito pela Agência France-Presse (AFP) com base em dados oficiais.

De acordo com os dados da AFP, às 11:00 desta sexta-feira, há pelo menos 9.992.800 pessoas consideradas curadas.

Na quinta-feira, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que o número de casos de covid-19 em África vai ultrapassar um milhão "nos próximos dias", assinalando que registou um aumento de "50% nos últimos 14 dias".

Os dados desta sexta-feira, de acordo com o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana (África CDC), indicam que o número de infetados é já de 908.931, mais 17.732 nas últimas 24 horas, havendo agora 556.695 recuperados, mais 15.823. Foram também contabilizados mais 81 mortos, somando um total de 19.310 óbitos.

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