Os 20 portugueses em isolamento profilático regressam a casa no sábado

Diretora-geral de Saúde anunciou que os 20 cidadãos em isolamento profilático após o regresso da China irão realizar um teste final na sexta-feira e, em princípio, deixam o hospital no sábado.

O período de isolamento profilático a que se submeteram 20 cidadãos portugueses que regressaram da China termina no fim-de-semana. "No sábado irão para suas casas", anunciou Graça Freitas, diretora-geral de Saúde numa conferência de imprensa para fazer o ponto do coronavírus em Portugal, no dia em que a doença passou a ser oficialmente designada como Covid-19. De sábado para domingo cumpre-se o prazo de 14 dias desde que deixaram Wuhan, e que é o período de tempo em que pode haver a incubação da doença, regra que está a ser seguido pelas autoridades de saúde internacionais.

Antes de deixarem o hospital, estas 20 pessoas irão realizar um teste final, a cargo do Instituto Nacional dr. Ricardo Jorge, para se confirmar que não têm a doença. Graça Freitas antecipa que os sinais é que não estão infetados, já estes portugueses "têm estado bem e não têm apresentado sintomas".

A responsável da Direção-Geral de Saúde elogiou novamente o "elevado civismo e cidadania" demonstrados por este grupo de portugueses que se voluntariou para ficar em isolamento após o regresso a Portugal, já que não é permitido por lei decretar a sua quarentena.

Na conferência de imprensa, Graça Freitas confirmou que os dois casos suspeitos que segunda-feira tinham sido anunciados tiveram resultados negativos, não existindo até ao momento nenhuma pessoa portadora do coronavírus em Portugal.

A diretora-geral diz que tudo está a ser feito para que o país esteja preparado para a eventualidade do vírus se propagar. Todos os planos de contingência, medidas de orientação e de resposta estão em curso com o envolvimento de todas as entidades, desde os serviços centrais do Ministério da Saúde, às regiões autónomas e a toda a rede de saúde pública, incluindo entidades como o INEM e o Infarmed.

"A nossa capacidade de deteção de casos suspeitos, e de transporte até aos hospitais de referência existe e tem funcionado", afirmou Graça Freitas, lembrando os seis casos que foram objeto de testes no país Todos deram negativo,

Na China foram divulgadas conclusões de um estudo realizado por 27 investigadores chineses, em que uma das conclusões é que o período de incubação da doença pode ser de 24 dias e não de 14 como tem sido a norma aplicada pelas organizações internacionais e pela DGS como se vê pelo caso dos 20 portugueses em isolamento.

A epidemia provocada pelo coronavírus detetado em Wuhan causou já 1.018 mortos, dos quais 1.016 na China continental, onde se contabilizam mais de 42 mil infetados, segundo o balanço divulgado esta terça-feira.

Vacina daqui a ano e meio

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que uma vacina contra o novo coronavírus deve demorar cerca de um ano e meio a ser desenvolvida.

"A primeira vacina poderá estar pronta em 18 meses. Agora temos de nos preparar para usar as armas que temos ao nosso alcance para lutar contra este vírus", declarou o diretor-geral da OMS numa conferência de imprensa em Genebra.

Tedros Adhanom Ghebreyesus adiantou ainda aos jornalistas que o diretor executivo da OMS para as Emergências em Saúde, Michael Ryan, vai liderar um gabinete de crise para coordenar a resposta contra a epidemia pelo atual coronavírus, que provoca uma doença hoje oficialmente designada Covid-2019.

A OMS decidiu usar um nome que seja pronunciável e que não remeta para uma localização geográfica específica, um animal ou grupo de pessoas para evitar estigmatizações, segundo explicou o diretor-geral da OMS.

O nome nasce do acrónimo em inglês da expressão "doença por corona vírus" ('corona virus disease').

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