Barcos ficaram parados. Como é que a situação se resolveu?

Autarquia de Lisboa arranjou transportes para 80 pessoas que ficaram sem ligação fluvial à outra margem. A situação meteorológica vai agravar-se durante a tarde e há utentes que se preparam para um cenário semelhante durante o dia de hoje.

O tempo melhorou esta sexta-feira de manhã, mas prevê-se um agravamento das condições meteorológicas da parte da tarde, antes da depressão Fabien atingir Portugal este sábado. Ontem, as ligações fluviais entre a Península de Setúbal e Lisboa encerraram depois das 16:00, o que gerou o caos nas estações do Cais do Sodré e Terreiro do Paço (Estação Sul e Sueste). A autarquia de Lisboa disponibilizou dois autocarros que ajudaram cerca de 80 pessoas a chegar a casa - numa altura em que havia quem já equacionasse passar a noite nos bancos da estação. O último autocarro partiu do Terreiro do Paço em direção ao Barreiro. Eram onze da noite.

Ao final do dia dezenas de pessoas ainda aguardavam no Cais do Sodré um transporte alternativo. A Câmara de Lisboa reuniu com Carris, Transtejo e Soflusa e a solução encontrada foi transportar as pessoas de autocarro até à estação ferroviária de Sete Rios - o que aconteceu por volta das 22:45. No caso do Barreiro, os autocarros levaram mesmo as pessoas até ao concelho da margem sul. "O autocarro ia cheio", disse ao DN fonte da Câmara Municipal de Lisboa.

A Proteção Civil esteve na estação fluvial Sul e Sueste a acompanhar a situação das pessoas que não tinham alternativa para fazerem a travessia.

A Transtejo/Soflusa anunciou ao início da manhã desta sexta-feira que "o serviço de transporte público fluvial encontra-se restabelecido em todas as ligações" devido ao desagravamento das condições atmosféricas adversas. Porém, a empresa anunciou ao início da tarde desta sexta-feira a suspensão da ligação entre Trafaria, em Almada, e Belém, em Lisboa.

"Ontem foi um dia muito complicado. O responsável da estação, que deveria ter saído às 18:00, só foi para casa às cinco da manhã, que foi a hora em que saiu o primeiro barco", disse ao DN uma trabalhadora da estação fluvial Sul e Sueste.

Não há previsões para encerramento de estações fluviais

Esta sexta-feira de manhã, por volta das 8:00, o ambiente na estação era tranquilo, mas muitos passageiros que ontem não conseguiram fazer a travessia do Tejo - ou que sofreram com os atrasos dos transportes - pediam uma justificação para entregar no trabalho.

Há preocupação em relação que se irá passar durante tarde desta sexta-feira. Um dos utentes da estação fluvial do Terreiro do Paço questionou, na bilheteira, quando saberiam se hoje também seriam suprimidos os transportes. "Ninguém lhe vai dizer isso desde já, muitas vezes só quando os barcos aqui chegam é que se percebe que não conseguem atracar", explicava a vendedora.

Também a circulação na ponte 25 de Abril esteve afetada: a passagem dos comboios que fazem a ligação entre Lisboa e Setúbal esteve condicionada a apenas um de cada vez no tabuleiro da ponte, o que teve impacto no cumprimento dos horários.

Nas duas pontes sobre o Tejo - Vasco da Gama e 25 de Abril - esteva ainda proibida a circulação de veículos pesados com toldos e motociclos.

A Transtejo tem a concessão das ligações fluviais entre o Seixal, Montijo, Cacilhas e Trafaria/Porto Brandão a Lisboa, enquanto a Soflusa garante a travessia entre o Barreiro e o Terreiro do Paço (Lisboa).

Inicialmente mantinha-se operacional apenas a ligação fluvial entre Cacilhas e o Cais do Sodré, mas o estado do tempo levou a Transtejo/Soflusa a suspender também esta ligação. "As condições atmosféricas não melhoraram, pelo contrário, agravaram-se neste espaço de tempo e tivemos que suspender também a ligação de Cacilhas", em Almada, no distrito de Setúbal, anunciou a empresa.

Doze distritos sob aviso laranja, o segundo mais grave

A chuva e o vento podem ter sido menos intensos esta manhã, mas existem ainda doze distritos de Portugal continental e a costa norte da Madeira sob aviso laranja, emitido, devido sobretudo a agitação marítima. Leiria, Santarém e Portalegre estão ainda sob aviso laranja devido às previsões de precipitação forte entre as 12.00 e as 15.00 nos dois primeiros casos e entre as 12.00 e as 18.00 no caso de Portalegre.

O aviso vermelho, o mais alto de quatro níveis, que se mantinha ativo nos distritos de Viseu, Guarda, Castelo Branco, Coimbra e Aveiro devido a rajadas de vento, foi retirado cerca das 03.00. A partir dessa hora e até ao meio-dia estão com aviso laranja - o segundo mais grave - os distritos de toda a costa continental e a costa norte da Madeira, pelo perigo de agitação no mar.

Leiria, Santarém e Portalegre estão ainda sob aviso laranja devido às previsões de precipitação forte entre as 12.00 e as 15.00 nos dois primeiros casos e entre as 12.00 e as 18.00 no caso de Portalegre.

O IPMA colocou também Guarda, Castelo Branco e Évora sob aviso amarelo -- o terceiro da escala -- por causa do vento, e até às 12.00 nos distritos mais a norte e, em Évora, devido ao vento (até às 18.00) e à chuva (até às 06.00).

O mapa do instituto mostra apenas três distritos a verde, ou seja, sem avisos relativos às condições do tempo: Viseu, Vila Real e Bragança.

O IPMA prevê que durante a madrugada a chuva persista em todo o território e entre o fim da manhã e o fim da tarde de sexta-feira nas regiões Centro e Sul.

A nota acrescenta que na costa ocidental as ondas poderão agitar os sete metros e na costa sul os cinco metros.

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