Mãe atirou o filho autista a um poço. O que se sabe do crime de Cabanelas?

Mulher está presa e enfrenta pena de prisão até 25 anos. Familiares dizem que jovem de 17 anos era violento, mas o diretor da escola onde andava desconhece caráter agressivo de Eduardo José. Isolamento durante a pandemia terá agravado o problema.

Eduardo José, um jovem de 17 anos, foi encontrado sem vida na segunda-feira (6 de junho), num poço, na aldeia de Cabanelas, Mirandela. A mãe (Filomena da Conceição) deu o alerta para o desaparecimento do filho, indicando às autoridades que estaria num poço, num terreno agrícola a cerca de três quilómetros da aldeia. Foram acionados os bombeiros da região, que esvaziaram o poço com cerca de três metros de profundidade e encontraram o corpo o rapaz com a ajuda de três mergulhadores.

O óbito foi declarado no local pela delegada de saúde do distrito de Bragança e o cadáver levado para o Instituto de Medicina Legal de Mirandela para a realização da autópsia, que indicou morte por afogamento.

Eduardo José era autista, epilético, filho de pai ausente e mão solteira. E segundo relatos de familiares tornara-se violento com a mãe, que já teria tentado colocar o filho numa instituição do distrito de Bragança, mas não haveria vagas - o Instituto da Segurança Social nega ter conhecimento do caso. "Ainda ontem à noite [véspera o crime] tinha dito que já dormia com a porta do quarto trancada com medo dele porque ultimamente ficou mais violento", afirmou ao JN Angelina Lopes, familiar da mulher, revelando que a situação se agravou desde que a escola onde o rapaz andava no ensino especial deixou de o ir buscar quando foi decretada a quarentena devido à pandemia.

O isolamento terá tido efeitos no comportamento do jovem, mas o diretor do Agrupamento de Escolas "D. Afonso III", em Vinhais, que recebe crianças autistas há 11 anos, disse desconhecer o comportamento agressivo de Eduardo "Não era nada problemático. Era uma criança muito doce, nunca nos deu qualquer problema ao longo dos 11 anos que aqui esteve, nunca protagonizou qualquer episódio de violência. Também dizem que ele tinha epilepsia, mas isso é muito recente e aqui nunca aconteceu nenhum episódio relacionado com isso", disse Rui Correia ao canal de televisão regional, Canal N.

Desesperada, a mulher (mãe solteira) terá atirado o filho para o poço. A intenção seria colocar um fim à própria vida, mas não o chegou a fazer. Esta parte da história não é clara. Segunda a Imprensa local, a mãe terá ligado a um primo a dar indicações para o funeral, dizendo que se ia atirar a um poço e levava com ela o filho. Sabendo do local onde ela poderia concretizar a ameaça, o primo ter-se-á deslocado ao terreno agrícola a tempo de a salvar. Mas Eduardo José já estava no fundo do poço. O primo terá depois acompanhado a mãe até casa, de onde terá ligado à GNR a dar conhecimento do caso.

A progenitora confessou depois o crime às autoridades, passando o caso para a alçada da Polícia Judiciária (PJ) para investigação das circunstâncias em que ocorreu a morte do jovem. Fátima da Conceição de 51 anos foi detida e presente a tribunal no dia 7 de julho, ficando em prisão preventiva, depois de ouvida no primeiro interrogatório judicial. O Tribunal de Mirandela entendeu estarem reunidos indícios do crime de homicídio qualificado na forma consumada. A tese da Polícia Judiciária passa por provar que a mãe premeditou o crime, uma vez que a autópsia terá revelado a presença de calmantes no organismo do rapaz. A mãe enfrenta uma pena entre 12 e 25 anos de prisão por filicídio.

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