Juiz sorteado para julgar Rui Pinto pede escusa

Paulo Registo pretende que o Tribunal da Relação se pronuncie sobre as "suspeitas de imparcialidade" devido às informações que foram divulgadas nos últimos dias.

O juiz Paulo Registo, a quem foi sorteado o processo de Rui Pinto, criador do Football Leaks, apresentou esta segunda-feira um pedido de "escusa de intervir na tramitação e julgamento, por existir suspeita sobre a sua imparcialidade".

"Nos últimos dias, foram veiculadas informações na comunicação social e também nas redes sociais, conforme é do conhecimento público, que o presente processo tinha sido distribuído ao juiz signatário, que também está indigitado para integrar o coletivo que irá julgar o processo conhecido com e-toupeira e que mantém ligações ao Sport Lisboa e Benfica, com revelação pública de diversas fotografias e também de publicações nas redes sociais", refere o despacho, a que a agência Lusa teve acesso.

O juiz acrescenta que "são também levantadas suspeitas no sentido destes dois processos terem sido intencionalmente distribuídos" a si próprio, "com o intuito de beneficiar o Sport Lisboa e Benfica, clube do qual se afirma textualmente que é adepto apaixonado e ferrenho, ao mesmo tempo em que se alega um intuito de prejudicar os arguidos Rui Pedro Gonçalves Pinto e Aníbal Fernando de Araújo Pinto [advogado], assim como o próprio Futebol Clube do Porto".

O pedido foi enviado para o Tribunal da Relação de Lisboa, com o intuito de que este se pronuncie se Paulo Registo tem condições para julgar este caso, depois de nos últimos dias terem surgido notícias na comunicação social que apontavam para o facto de este juiz ter feito manifestações nas redes sociais pouco abonatórias para com Rui Pinto, acusando-o de "pirata".

Refira-se que Rui Pinto vai ser julgado por 90 crimes, nomeadamente de acesso ilegítimo, acesso indevido, violação de correspondência, sabotagem informática e tentativa de extorsão.

Rui Pinto esteve em prisão preventiva desde o dia 22 de março de 2019, tendo sido colocado em prisão domiciliária no passado dia 8 de abril, mas em habitações da Polícia Judiciária e sem ter acesso à internet.

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