Títulos da Coleção Berardo já foram penhorados

A penhora acontece depois da ação executiva da CGD, BCP e Novo Banco sobre 100% dos títulos de participação dados como garantia dos créditos. O processo está em fase de contestação

Os títulos da Associação Coleção Berardo (ACB), proprietária das obras de arte cedidas ao Estado, já foram penhorados, avança esta sexta-feira o Jornal Económico. A penhora acontece depois da ação executiva da CGD, BCP e Novo Banco sobre 100% dos títulos de participação dados como garantia dos créditos que ascendem a 900 milhões de euros.

O processo está em fase de contestação. O empresário Joe Berardo pediu ao tribunal um prazo adicional de 30 dias para contestar a penhora da totalidade dos títulos da ACB. Vai poder fazê-lo agora até dia 23 de setembro. Depois desta data, os bancos podem contestar os argumentos do madeirense.

"Os títulos da Associação Colecção Berardo já foram executados. Passaram de penhor para penhora, estando, neste momento, a decorrer o prazo para os devedores contestarem", confirmou ao Jornal Económico fonte próxima ao empresário. Trata

De acordo com o semanário, a Associação Coleção Berardo considera que não estão arrestados 100% dos títulos, devido à alteração dos estatutos e ao aumento de capital. Duas alterações que aconteceram à revelia dos bancos.

Dívida aos bancos ascende a 962 milhões de euros

Além do comendador escreve o jornal, são visadas três entidades ligadas ao empresário: a Metalgest, a Fundação José Berardo e ainda a Moagens Associadas, tendo já sido citados, a 6 de junho, para se pronunciar, sendo que no caso da ACB a citação foi feita na pessoa do seu representante legal, ou seja de Berardo, citado a 12 de junho.

A penhora dos títulos da ACB é uma tentativa de executar a dívida do empresário aos bancos que ascende a 962 milhões de euros. As instituições bancárias têm na mira os títulos da ACB, que, explica o jornal, têm associado um valor referente à coleção de arte de Joe Berardo.

O acervo inicial de 862 obras foi avaliado em 316 milhões de euros pela leiloeira internacional Christie's aquando da constituição da Fundação de Arte Moderna e Contemporânea. A coleção, que irá continuar no Centro Cultural de Belém pelo menos até 2022, no âmbito de um acordo com o Estado, deverá valer atualmente mais de 500 milhões de euros, de acordo com especialistas do setor.

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