Terrorista que matou imigrantes nas mesquitas visitou Tomar

O homem que abateu 50 pessoas em duas mesquitas na Nova Zelândia visitou o norte de Portugal e esteve no Convento de Cristo. Autoridades portuguesas confirmam visita do australiano

Brenton Tarrant, o australiano de 28 anos e principal suspeito do ataque terrorista a duas mesquitas, esta sexta-feira, em Christchurch, na Nova Zelândia, esteve de férias em Portugal - no norte do país - e visitou Tomar, soube o DN junto das autoridades que estão a acompanhar este caso. Com a investigação a decorrer desde que se soube da visita a Portugal, neste momento as autoridades acreditam que o motivo da visita se prendeu com o Convento de Cristo e a sua ligação à ordem dos Templários.

O homem que matou 50 pessoas - muitos deles imigrantes na Nova Zelândia - partilhou, momentos antes do ataque, um manifesto de 74 páginas onde escreveu que o seu objetivo era criar uma "atmosfera de medo" contra os muçulmanos e "reduzir diretamente a imigração para terras europeias".

É no mesmo documento que se lê a sua passagem por Portugal - Tarrant passou sete anos a viajar pelo mundo, depois de ter ganho algum dinheiro com um negócio de criptomoedas. A Nova Zelândia nem sequer era o seu primeiro alvo, como acabaria por revelar no manifesto.

Atirador escreveu sobre visita a Portugal

"Fiz uma viagem à Europa ocidental e estive em países como França, Espanha, Portugal e outros. O primeiro evento que provocou a mudança na minha cabeça foi o ataque em Estocolmo, no dia 7 de abril de 2017. Foi mais um ataque terrorista numa série de tantos outros que nunca mais acabam", escreveu o atirador.

As autoridades que acompanham estes casos, a Polícia Judiciária e o Serviço de Informações e Segurança, sabem que o australiano esteve no país, apenas como turista - Tarrant nunca fez parte de nenhuma lista de suspeitos ligados ao terrorismo ou à extrema-direita, quer no seu país de origem, como na Nova Zelândia.

No entanto, a sua visita ao Convento de Cristo pode estar ligada aos seus ideais de supremacia branca: o monumento português está relacionado com a Ordem dos Templários - o "exército de Cristo" responsável por expulsar os muçulmanos da Europa.

Brenton Tarrant definiu-se no manifesto como "um homem branco normal" que decidiu "tomar uma posição para garantir o futuro para o meu povo". Contou que se inspirou noutro extremista: o norueguês Anders Breivik, que a 22 de julho de 2011 matou 77 pessoas em Oslo e na ilha de Utoya, onde se reuniam os jovens do Partido Trabalhista (que acusava de conluio com os países árabes para inundar a Europa de muçulmanos).

Tarrant alega, no documento, que obteve a bênção de Breivik - condenado a 21 anos de prisão, numa pena que pode ser prolongada para sempre, sendo todos os seus contactos com o exterior controlados.

O atentado de Christchurch estaria a ser preparado há dois anos, com Tarrant a escrever que o que o despertou para a violência foi o ataque de um usbeque com um camião em Estocolmo, na Suécia, a 7 de abril de 2017, que matou cinco pessoas - incluindo uma criança de 11 anos.

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