Seis acusados por produção e venda de queijo contaminado com brucelose

Exploração em Baião produzia queijo artesanal de animais infetados. Brucelose atingiu 19 pessoas do concelho em 2014

Seis pessoas vão responder em tribunal por terem produzido queijo artesanal numa exploração de Baião e o comercializarem "sabendo que os animais se encontravam infetados" com brucelose, diz o Ministério Público. Registaram-se 19 casos de brucelose em pessoas residentes no concelho que terão consumido o queijo e os seis arguidos foram agora acusados de crimes de perigo relativo a animais e vegetais, desobediência e de corrupção de substâncias alimentares.

O caso remonta a 2014, quando surgiram casos de brucelose no concelho. Desde logo se associou a doença ao consumo de queijos frescos, produzidos de forma artesanal em exploração agrícola e vendidos na rua. A investigação chegou a quem produziu e comercializou os queijos. A exploração agrícola não estava licenciada para a produção e comércio de queijo. Na altura, a Autoridade Regional de Saúde (ARS) do Norte disse que os primeiros casos de brucelose foram detetados em julho de 2014 e que em novembro houve um pico de situações, com algumas pessoas a estarem internadas em duas unidades hospitalares do Porto. Todos recuperaram.

O MP diz que "no período compreendido entre os meses de agosto e novembro de 2014, registaram-se pelo menos 19 casos de Brucella Melitensis (Brucelose), em pessoas residentes no concelho de Baião, maioritariamente das freguesias de Gôve e Campelo, por força da ingestão de queijo fresco ou cru de leite de cabra."

O procurador acusa os seis arguidos de produzirem ou comercializarem, "entre maio e julho/agosto de 2014, artesanalmente, numa exploração de animais existente no concelho, bem sabendo que os animais se encontravam infetados".

A informação foi divulgada pela Comarca do Porto Oeste, esclarecendo que a acusação do MP foi deduzida por procurador da República no núcleo de Baião do DIAP da comarca, na sequência de uma investigação realizada pela ASAE. A nota não esclarece se entre as seis pessoas arguidas existe alguma que seja pessoa coletiva.

O MP pede julgamento em Processo Comum Coletivo, por envolver penas de prisão superiores a cinco anos, com o crime de corrupção de substâncias alimentares a ser o mais grave, podendo ser punido com pena de prisão de um a oito anos.

A brucelose é uma doença animal que pode ser transmitida ao homem e também é conhecida como febre ondulante ou febre-de-malta. Há quatro bactérias do género Brucella que causam esta doença, mas é a Brucella melitensis a mais comum, como acontece neste caso de Baião, que infeta cabras e ovelhas. A doença transmite-se pelo consumo de alimentos contaminados, mas também por inalação da bactéria ou por contacto direto com um animal infetado. A transmissão entre pessoa é rara.

A brucelose pode causar complicações ao nível dos ossos, dos sistemas nervoso central, respiratório e cardiovascular e aumento do volume do fígado. Segundo um trabalho da DECO, o tratamento é simples, com antibióticos, mas pode ser demorado e durar meses. O atraso no diagnóstico é o principal problema. A doença causa a morte em 2% dos casos.

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