Rui Mão de Ferro nega durante 3 horas e meia ser testa de ferro de Carlos Santos Silva

Acusado de ser um testa de ferro do empresário Carlos Santos Silva, que o Ministério Público acusa de ser ele próprio um testa de ferro do antigo primeiro-ministro José Sócrates, Rui Mão de Ferro terá negado perante o juiz Ivo Rosa essa tese. E reafirmou que sempre agiu a mando do empresário para quem trabalhava.

Trinta segundos entre a porta da antiga sede da Polícia Judiciária e o fim da rua e nem uma sílaba. Foi muito rapidamente e calado que saiu Rui Mão de Ferro do Tribunal Central de Instrução Criminal onde na tarde desta terça-feira prestou depoimento no fase de instrução do Processo Marquês. Com um dossier na mão o antigo gestor das algumas empresas de Carlos Santos Silva deixou o edifício acompanhado pelo seu advogado e recusou falar sobre o que se passara durante as três horas e meia em que esteve frente ao juiz Ivo Rosa.

Acusado de um crime de branqueamento de capitais e quatro de falsificação de documentos, Rui Mão de Ferro terá mantido neste interrogatório a tese que defendeu no pedido de abertura de instrução: tudo o que fez foi a pedido de Carlos Santos Silva, atuou sempre de boa-fé e os pagamentos efetuou com a respetiva faturação em nome da empresa XLM foram transparentes.

Ou seja, recusou a tese do Ministério Público que o acusa de ser um testa de ferro de Carlos Santos Silva, o empresário amigo do antigo primeiro-ministro José Sócrates, a principal figura deste processo que conta com 28 arguidos (19 pessoas e nove empresas) e um total de 188 crimes, na sua maior parte de índole económico-financeira.

De acordo com a acusação assinada pelo procurador Rosário Teixeira, o gestor que começou a trabalhar com Carlos Santos Silva em 2009 foi surgindo como sócio e administrador de empresas que eram utilizadas para "a coberto de circuitos de faturação e de contratos de conveniência, sem correspondência com a realidade, receber quantias pecuniárias obtidas através da prática de crime e realizar pagamento com as mesmas a terceiros, segundo indicações recebidas do arguido Carlos Santos Silva e, por via deste, do arguido José Sócrates".

E, entre as operações que foi efetuando, surge a compra de "elevado número de exemplares do livro A Confiança do Mundo, publicado por José Sócrates, com vista a inflacionar a sua venda", pode ler-se na acusação.

Esta terça-feira, o gestor negou estas acusações e, segundo soube o DN, terá explicado que sempre agiu de acordo com as indicações de Carlos Santos Silva, ou seja não era responsável pela tomada de decisões nas empresas e que não tinha consciência de como o dinheiro que lhe pediam para movimentar era utilizado.

Com esta defesa tentou contrariar a tese do MP que defende que Rui Mão de Ferro, tal como Inês Rosário (mulher de Carlos Santos Silva) e Gonçalo Trindade Ferreira, na condição de sócio em sociedades - como a XLM LDA, Airlie Holdings Limited, Cosmatic Properties Ltd, que pertenciam a Carlos Santos Silva - seria a pessoa encarregada de movimentar dinheiro que era depois entregue ao antigo primeiro-ministro José Sócrates. Envolvida no esquema estaria, segundo a acusação, a empresa RMF Consulting Lda que pertencia ao gestor.

Perante o juiz, o único além do seu advogado Carlos Pinto de Abreu a fazer perguntas, contou que apenas viu José Sócrates uma vez quando o ex-primeiro-ministro foi encontrar-se com Carlos Santos Silva no seu escritório. Esta foi, terá garantido, a única ocasião em que se cruzou com o antigo governante que é suspeito de ter recebido mais de 20 milhões de euros através de contas que estavam offshores em nome do amigo empresário.

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