Ferido grave demorou quatro horas para chegar ao hospital por "condicionantes" no socorro

O ferido terá andado para trás e para a frente dentro do veículo de socorro até conseguir ser transportado de helicóptero, que inicialmente não teve condições para aterrar. Apesar da demora, INEM garante que foi prestada "a devida assistência".

O único ferido grave até à data decorrente do incêndio de Vila de Rei (Castelo Branco) esteve quatro horas a ser transportado numa ambulância de Suporte Imediato de Vida (SIV) até chegar ao Hospital de São José, em Lisboa, onde recebeu assistência médica. A notícia foi avançada pelo Jornal de Notícias, à qual a porta-voz do INEM Paula Neto respondeu, admitindo "algumas condicionantes" no transporte do doente. Contudo, garantiu que teve "a devida assistência".

O veículo de socorro terá levado o doente até o aeródromo das Moitas, perto de Proença-a-Nova, depois de "considerado que o melhor meio de transporte para manter os cuidados e garantir a estabilidade do doente seria o helitransporte". Embora Paula Neto tenha admitido, durante a conferência, que a transferência do ferido até ao hospital "podia ter demorado metade do tempo se tivesse sido feita de ambulância". A representante do INEM falou aos jornalistas à luz de um balanço sobre os incêndios nos distritos de Castelo Branco e Santarém, durante uma conferência de imprensa.

O helicóptero do INEM terá sido ativado pelo Centro e Orientação de Doentes Urgentes (CODU) e saído de Santa Comba Dão pelas 22.59 de sábado. Estava previsto aterrar no aeródromo das Moitas, para onde o CODU pediu que levassem o doente. Mas devido à fraca visibilidade, por ser noite e devido ao fumo na zona, o helicópetro não teve condições para lá pousar.

O CODU terá falhado nas indicações de aterragem, por não ter contemplado que o aeródromo das Moitas, sob a gestão da Câmara de Proença-a-Nova, só recebe voos em período diurno.

"Houve algumas condicionantes que tinham a ver com as características de voo e de segurança que fizeram com que o helitransporte acabasse por não ser tão célere como seria a avaliação inicial da situação e acabou por não ser tão rápida a chegada do doente à unidade hospitalar", referiu.

O CODU terá falhado nas indicações de aterragem, por não ter contemplado que o aeródromo das Moitas, sob a gestão da Câmara de Proença-a-Nova, só recebe voos em período diurno. Ainda que estejam contempladas exceções, uma vez que a pista estava sem iluminação (por estar encerrada), o helitransporte não conseguiu aterrar e continuou a sobrevoar a área. Depois de algum tempo no ar, "teve de regressar á base por falta de combustível", explicou a porta-voz do INEM.

Foi então acionado um helicóptero de Évora e decidiram fazer a aterragem no campo de futebol Senhora das Neves, sob autorização da autarquia de proença-a-Nova. Ali permaneceram ainda durante quase uma hora e meia, para estabilizar o doente, que só chegou ao hospital pelas 3:00 de domingo.

Apesar da demora, Paula Neto sublinha que o doente, que sofreu queimaduras em primeiro e segundo grau, teve toda a intervenção necessária. "Ao fim de seis minutos após o pedido de ajuda" já estava a ser assistido, disse. E acrescentou que "teve acompanhamento desde que foi recolhido até ser entregue no hospital em Lisboa". "Missão cumprida", sublinhou. O ferido está a evoluir "favoravelmente".

O incêndio que lavrava desde sábado em Vila de Rei e Mação já foi dominado. Registaram-se 17 feridos, um grave, entre as 41 pessoas que tiveram de ser assistidas.

Segundo o comandante do Agrupamento Distrital do Centro Sul, Luís Belo Costa, continua a surgir uma ou outra reativação que "imediatamente são resolvidas". Todos os meios continuam empenhados em "extinguir totalmente todas as combustões lentas que existem e que geram estas pequenas reativações", disse.