Eucaliptos: plano do governo vai penalizar plantação ilegal

O secretário de Estado das Florestas confirmou ao DN a intenção de avançar com um plano integrado, que substitua o eucalipto por espécies autóctones, num investimento de 28 milhões de euros

O Governo prepara-se para anunciar, na próxima semana, um programa integrado para a gestão do eucalipto na floresta portuguesa. A notícia foi confirmada ao DN pelo secretário de Estado das Florestas, Miguel Freitas, à margem da apresentação do programa de recuperação para as matas litorais, na Marinha Grande.

De acordo com a proposta da Secretaria de Estado, o plano prevê "penalizar mais aquilo que é a plantação ilegal de eucalipto, e fazer programas que permitam aos proprietários tomar opções de arrancar e poder fazer outras plantações".

Desse programa legislativo constam medidas específicas para as áreas ardidas, tal como fazer a substituição daquela árvore altamente inflamável "por espécies de crescimento lento". O investimento está estimado em 28 milhões de euros, o dobro daquilo que o executivo prevê gastar, numa primeira fase, na recuperação das matas do litoral.

"A nossa preocupação é tirar o eucalipto mas fazer uma floresta melhor", acrescenta Miguel Freitas, quando confrontado com a notícia da população de Benfeita, no concelho de Arganil, que na próxima segunda-feira (um ano depois do incêndio de outubro de 2017) promove uma ação coletiva de arranque de eucaliptos e mimosas, que vão rebentando pelos terrenos afetados pelo fogo.

"O cenário pós-fogo promete, se nada for feito, um futuro desastroso e não muito distante em relação a novos fogos, redução da biodiversidade e de recursos naturais", sublinha a organização, citada pela agência Lusa. A comunidade percebeu que "as duas espécies exóticas vão rebentando por todo o lado e em grande número, mesmo em zonas onde antes não se encontravam, como a reserva natural da Mata da Margaraça".

O mesmo acontece dentro da área residencial, perto da zona industrial de Vieira de Leiria, na sequência do fogo que ocorreu na mesma data. De resto, também em Pedrógão Grande a população e algumas organizações ambientais têm vindo a alertar para o perigo, uma vez que o eucalipto - que compunha o grosso daquela floresta - rebentou com muito mais vigor, cobrindo os montes por completo.

Numa nota de imprensa enviada às redações, a organização da ação de Benfeita deixa um alerta para o Governo: caso não dê condições às autoridades locais para gerirem estes problemas, "o Centro de Portugal poderá estar mesmo a caminho da autodestruição".

"Temos agora uma janela temporal de menos de seis meses em que será ainda possível arrancar estas pragas de forma manual. Se não aproveitarmos este tempo, poderá ser tarde demais ou muito mais difícil realizar tal tarefa", refere a mesma nota.

Na segunda-feira, a comunidade local vai ajudar o ICNF a remover eucaliptos no interior da Mata da Margaraça, sendo que os trabalhos de remoção de espécies exóticas estendem-se também a um terreno privado de um habitante local, que o disponibilizou para o efeito. A iniciativa está marcada para as 9h30, com um encontro na capela à saída dos Pardieiros, no concelho de Arganil.

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