Coletes amarelos: Polícia acredita que seis eventos foram cancelados, mas um continua marcado

Seis protestos agendados para esta sexta-feira foram cancelados, diz fonte policial que tem acompanhado a operação. Mas pelo menos um continua de pé entre aqueles que o estão a organizar.

Leiria, Reigoso, Açores, Madeira são quatro locais onde a polícia diz que os protestos dos 'coletes amarelos' portugueses, marcados para esta sexta-feira, já não vão acontecer. Os eventos foram cancelados no Facebook e alguns confirmados no local, garante ao DN fonte policial que acompanha a operação. No entanto, pelo menos um deles, continua programado, confirmou um organizador ao DN.

As autoridades admitem que alguns destes cancelamentos possam ser fictícios, apenas para fugirem ao controlo da polícia, mas consideram também "improvável", uma vez que "não é fácil passar todos os seguidores para outra plataforma sem dar nas vistas". Até porque, conforme já noticiou o DN, quer a PSP, quer as secretas têm agentes infiltrados nas redes sociais.

Dois outros protestos, o Pessoal do Norte e o Vamos Parar Portugal, também deixaram de estar disponíveis no Facebook.

Mas, tal como não é garantido que o número de pessoas que dizem 'vou' corresponde à realidade, a realização do protesto pode estar a ser organizada em outras plataformas. Não seria caso inédito.

O movimento Vamos parar Portugal como Forma de Protesto nasceu no Facebook após as manifestações dos coletes amarelos em Paris e migrou para um grupo do Whatsapp. Na primeira semana de dezembro tinha entre 30 a 40 elementos, um dia depois "houve uma expansão brutal", contou um dos elementos ao DN. Criaram -se grupos para "Algarve, Porto, e para vários pontos em Lisboa, como Marquês de Pombal ou Ponte 25 de Abril." A difusão foi também feita através de sites de fake news como a Bombeiros24 ou Direitapolítica.

A atividade neste grupo diminuiu nos últimos dias, mas mantém-se, soube o DN, a intenção de fazer o protesto na A8, como o DN noticiou no domingo, ainda que a organização tenha sofrido alterações.

Divisões no 'grupo do Bombarral'

Filipe Ferreira, um dos cinco elementos do evento Vamos Parar Portugal como Forma de Protesto saiu da organização, sob acusações de ter passado informações a jornalistas.

Este grupo, o primeiro de que há registo, foi fundado por cinco pessoas, o chamado 'grupo do Bombarral', a localidade onde vivem. O plano era cortar a A8, a autoestrada que serve a região.

Pelo messenger, a única forma pela qual acedeu a falar, Filipe Ferreira contou que a inspiração óbvia para a criação do evento foram as manifestações dos coletes amarelos em França. "O povo está cansado", afirmou ao DN. E mesmo que haja laivos de ideias populistas e nacionalistas nas suas páginas de Facebook, confrontado com a promoção do evento na página do PNR, Filipe Ferreira garante que "isso é esse partido a tentar obter votos à nossa conta". Desmente o envolvimento da extrema-direita no protesto.

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