Centros de socorro não atenderam os telefones? Proteção Civil já está averiguar

A empresa de navegação aérea NAV diz que tentou contactar três CDOS (Centros Distritais de Operações de Socorro) a alertar para o desaparecimento do helicóptero do INEM, mas não lhe atenderam os telefones

A Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) está a averiguar de as declarações da NAV - segundo a quais três CDOS não lhe atenderam o telefone quando quis alertar para o desaparecimento do helicóptero do INEM - correspondem à verdade.

Fonte oficial da ANPC disse ao DN que a estrutura teve conhecimento desta informação da NAV "através da comunicação social" e que "de imediato" foram desencadeados procedimentos internos para averiguar a sua veracidade. "Independentemente daquilo que for confirmado, informaremos com todo o rigor sobre o que se passou. Mas só o faremos depois de recolhida toda a informação junto aos CDOS e ela estiver absolutamente segura", sublinhou essa fonte, remetendo as explicações para mais tarde.

Numa nota enviada às redações, em que afirma ter adotado "com diligência e celeridade todos os procedimentos estabelecidos para este tipo de situações", a NAV Portugal transcreve, ao minuto, a sequência de acontecimentos após a falta de comunicação com o helicóptero HSU203, acidentado junto a Valongo no sábado e que resultou na morte de quatro pessoas.

Segundo a NAV, a tripulação contactou com a Torre de Controlo do Porto às 18h30, para informar que iria descolar para Macedo de Cavaleiros via Baltar dentro de 5/6 minutos, informando ainda que se não conseguisse aterrar em Baltar, poderia prosseguir para o Porto.

A primeira perda de sinal radar com o helicóptero deu-se às 18h55, afirmou a NAV, salientando ainda que a perda de comunicações "é normal", devido "à altitude e orografia do terreno".

A hora expectável de aterragem, tendo em conta a hora de descolagem do aparelho, era às 19h00, destacou ainda a NAV.

A empresa destacou que às 19h20, "de acordo com o protocolo de atuação, que determina que 30 minutos após o último contacto expectável se iniciem tentativas de contacto com a aeronave", a Torre de Controlo do Porto contactou telefonicamente várias entidades, entre as quais os bombeiros de Valongo e a PSP de Valongo.

À mesma hora, foi tentado o contacto ainda com os Comandos Distritais de Operações de Socorro (CDOS) do Porto, Braga e Vila Real "que não atenderam".

Segundo a NAV, às 19h40 foi avisada a Força Aérea Portuguesa, "que é quem ativa a busca e salvamento", 20 minutos depois de terem sido contactados os CDOS do Porto, Braga e Vila Real, que "não atenderam".

Conforme DN já explicou, a Força Aérea ainda não confirmou a hora em que recebeu o alerta. Um helicóptero EH-101 Merlin, que saiu da base do Montijo pelas 21:45 de sábado, chegou a estar no local onde decorrem as buscas, próximo da aldeia de Couce, em Valongo, mas teve de abandonar o local, já que as condições atmosféricas não permitiam a continuação das operações.

Entretanto, o ministro da Administração Interna determinou à ANPC a abertura de um "inquérito técnico urgente ao funcionamento dos mecanismos de reporte da ocorrência e de lançamento de alertas em relação ao acidente".

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Maria Antónia de Almeida Santos

Uma opinião sustentável

De um ponto de vista global e a nível histórico, poucos conceitos têm sido tão úteis e operativos como o do desenvolvimento sustentável. Trouxe-nos a noção do sistémico, no sentido em que cimentou a ideia de que as ações, individuais ou em grupo, têm reflexo no conjunto de todos. Semeou também a consciência do "sustentável" como algo capaz de suprir as necessidades do presente sem comprometer o futuro do planeta. Na sequência, surgiu também o pressuposto de que a diversidade cultural é tão importante como a biodiversidade e, hoje, a pobreza no mundo, a inclusão, a demografia e a migração entram na ordem do dia da discussão mundial.