Agentes condenados vão recorrer. "Justiça é serem todos absolvidos"

Sindicato Unificado da Polícia, que representa 16 dos 17 arguidos, aponta culpas ao Ministério Público e à hierarquia da PS, que acusa de "abandonar todos os polícias"

Peixoto Rodrigues, presidente do Sindicato Unificado da Polícia, que representa 16 dos 17 arguidos, disse ao DN ter ficado satisfeito com a absolvição de nove dos polícias, mas principalmente porque não houve qualquer condenação por crimes de tortura e racismo, como constava da acusação. Disse ainda que o gabinete jurídico do sindicato irá recorrer da decisão do tribunal de Sintra. "Justiça é serem todos absolvidos", acrescentou.

Peixoto Rodrigues apontou o dedo ao Ministério Público e "às hierarquias da PSP", que acusa de estarem pouco presentes no dia-a-dia das esquadras, uma "ausência que poderia ter evitado que estes homens tivessem de passar pelo que passaram", acusou.

"Desde logo porque se existisse uma linha de contacto com o Ministério Público saberiam que naquele caso não poderia haver detenção, que foi o que levou os agentes a serem condenados por sequestro. Os polícias não são juízes, não têm de conhecer as leis", justificou o sindicalista, que acusou ainda a hierarquia da PSP de ter abandonado os agentes neste processo: "Não abandonou só estes, mas todos os agentes do país".

Para a Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP) - o maior sindicato da polícia - e sentença vem principalmente "levantar o rótulo de racismo que se colou as agentes da PSP após estes incidentes", diz ao DN Paulo Rodrigues, presidente da ASPP.

O sindicalista sublinhou o facto de os crimes mais graves - tortura e ódio racial - terem caído, e lamentou os anos que o processo demorou a chegar a esta conclusão - ou pelo menos à primeira decisão, uma vez que os oito agentes condenados ainda vão recorrer da sentença.

"Esperamos que se faça justiça", disse, sobre o recurso, Paulo Rodrigues. "Tendo em conta aquilo que os agentes nos contaram - e não temos motivo para não acreditarmos neles - o que deveria ter sido discutido desde o início era se a intervenção foi ou não a mais adequada, e não motivações ligadas ao racismo", afirmou.

Quatro anos e mais de três meses depois da data dos factos, os 17 agentes da PSP ouviram a sentença esta segunda-feira. Estavam acusados de tortura, agressões e sequestro motivados pelo ódio racial. Oito foram condenados por sequestro e agressões: um dos agentes a pena de prisão efetiva e os outros sete a pena suspensa.

Nenhum dos polícias foi condenado pelos crimes de tortura ou racismo. As condenações são por crimes de sequestro agravado, ofensas à integridade física qualificada, injuria, denúncia caluniosa e falso testemunho. As penas foram agravadas porque nenhum se mostrou arrependido.

As penas são de dois meses a cinco anos e as vítimas vão receber indemnizações de 10 mil euros. Apesar de serem apenas oito condenados dos 18 acusados, é o maior número de sempre de agentes condenando num processo.

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