Adolescente sequestrada pelos pais. Viveu um ano num esconderijo no quarto

PSP de Cascais deteve o casal, a quem a filha menor tinha sido retirada. Mantinham a jovem a viver numa habitação no Porto, num quarto com esconderijo, disfarçado por uma parede falsa, sem luz ou circulação de ar.

Uma adolescente de 13 anos esteve sequestrada pelos próprios pais, num esconderijo de um quarto, disfarçado por uma parede falsa, durante cerca de um ano. A jovem tinha sido retirada à família biológica, de Loures, e viveu com uma família de acolhimento em Cascais durante cerca de um ano, até que desapareceu. Após denúncia do casal adotante, a PSP iniciou investigação que culminou terça-feira de manhã no Porto com a descoberta da menina na referida habitação onde existia o esconderijo e com a detenção dos pais biológicos, de 43 e 44 anos de idade. O casal está a ser ouvido em tribunal.

A investigação pertenceu à PSP de Cascais, que na ação na União das freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde teve o apoio da PSP do Porto e da Unidade Especial de Polícia, no Porto. Em comunicado, o Comando Metropolitano de Lisboa explica que a menor "após um período de institucionalização, tinha participado num processo de adoção, concluído com sucesso, tendo sido acolhida pela família de adoção, nesse momento". Cerca de um ano depois, adianta a PSP, "é comunicado o seu desaparecimento por parte dos pais adotivos, iniciando-se as diligências com vista à sua localização, recaindo a suspeita sobre os pais biológicos".

A polícia acabou por descobrir o rasto da criança. "Foi possível encontrar-se a menor na residência visada, podendo constatar-se que se encontrava confinada à permanência na residência, sem liberdade de movimentos para o exterior, não frequentando a escola no ano letivo findo."

A descrição policial do local indica que a adolescente vivia praticamente afastada do mundo. "A menor, encontrava-se num esconderijo do quarto, disfarçado por parede falsa, preparado propositadamente, ao que tudo indica, para ali ser ocultada, sempre que alguma autoridade policial ou outra instituição, se aproximavam do imóvel, sendo o espaço exíguo, sem qualquer tipo de luz e quase sem circulação de ar", relata a PSP.

Apesar das condições em que estava, a jovem "encontra-se bem nutrida e, aparentemente, de boa saúde, ficando sob a alçada de técnicos da Segurança Social, assim como outros dois menores que também estavam na residência".

Os pais biológicos da menor estão a ser ouvidos por um juiz no Tribunal de Cascais, para aplicação das medidas de coação.

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