Premium A vida depois dos 100 anos. Há um lar em Leiria que é a casa de três centenários

Há um lar de idosos em Leiria onde moram vários centenários - a mais velha com 110 anos. Andam pelo próprio pé, tomam poucos medicamentos e ainda fazem planos. Entre as 4268 pessoas com mais de 100 anos que viviam em Portugal no ano passado, a região centro destaca-se na liderança. Médicos e outros técnicos ligados à geriatria atribuem esta longevidade aos medicamentos, à genética, mas também aos cuidados de saúde e higiene que, paradoxalmente, aumentam nos lares.

"Tenho as unhas que é uma miséria. A menina não repare", diz Romana Marques, para começo de conversa. Aos 110 anos, está entre as mais vaidosas utentes do Lar Emanuel, em Leiria, do qual é benemérita, e para onde se mudou há cerca de 20 anos. Era viúva, o único filho morreu num desastre de avião, e não se lhe conhecia mais família. Viriam a aparecer uns primos afastados, em julho passado, quando a viram numa reportagem televisiva, a soprar as 110 velas. "Julgavam que ela já tinha morrido", conta ao DN Ana Gaspar, a técnica do lar que mais de perto a acompanha. Conhece-lhe as manhas, os gostos, acompanhou-a no verão passado à sapataria onde Romana quis comprar umas sandálias novas, para o dia de aniversário. Agora já não escolhe a roupa, mas se lhe desagrada o que as funcionárias do lar lhe preparam, reclama logo.

Romana está entre os 4268 centenários que o Instituto Nacional de Estatística contabilizou, até junho de 2018. Os dados deste ano só serão conhecidos daqui por um mês, mas a tendência será a mesma dos últimos anos: um aumento considerável da longevidade, do número de homens e mulheres com 100 anos ou mais, ainda que, nesta batalha da vida, sejam as mulheres quem vence, de forma destacada. Os números falam de 2600 mulheres e 1668 homens, sendo na região centro que se concentra o maior número de centenários - 1381.

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