Chefe de gabinete de secretário de Estado alvo de buscas. Há 73 arguidos

Há um total de 73 arguidos por fraudes de milhões à UE e ao Estado Português. A PJ esteve no terreno com cerca de 100 inspetores a conduzir 26 buscas. Em causa estão negócios relacionados com resíduos hospitalares. Não houve detenções

A Polícia Judiciária lançou esta quinta-feira uma operação nacional por suspeitas de fraude relacionada com a obtenção de fundos comunitários. A investigação já decorre há dois anos e, nesta altura, foram já constituídos 73 arguidos, entre empresas e particulares : 52 na primeira fase, a que se juntaram esta tarde outros 19 arguidos (8 pessoas e 11 empresas).

Em causa estão, além dos crimes relacionados com a fraude na obtenção dos subsídios, crimes de fraude fiscal qualificada, de branqueamento de capitais e de falsificação de documentos.

Um dos alvos das buscas da PJ foi o chefe de gabinete do secretário de Estado da Proteção Civil. Adelino Gonçalves Mendes é vice-presidente da "Somos Ambiente", um agrupamento de empresas cujo principal negócio é a "reciclagem e tratamento de resíduos hospitalares", com sede na Chamusca.

Adelino Mendes, 45 anos, foi vereador da câmara municipal do Pombal. No curriculum publicado por altura da sua nomeação está registado que a última função que desempenhou antes de integrar o gabinete de Artur Neves foi a de vice-presidente do Agrupamento Complementar de Empresas Somos Ambiente (em 2015). Antes disso tinha passado por outras empresas ligadas ao ambiente e à construção: a Tecnorém e a Ambimpombal.

Como titular de cargos públicos, já tinha sido antes chefe de gabinete da secretária de Estado da Administração Interna, Dalila Araújo, no último governo de José Sócrates e teve o mesmo cargo com José Miguel Medeiros, ex-secretário de Estado da Proteção Civil, já com o atual executivo. Foi ainda adjunto do governador civil de Leiria, entre 2005 e 2008 e membro da Assembleia de Freguesia e da Assembleia Municipal de Pombal.

Foi líder concelhio do Partido Socialista de Pombal e cabeça de lista nas duas últimas eleições Autárquicas, tendo saído derrotado.

Licenciado em Geografia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Componente curricular do mestrado em Políticas Urbanas e Ordenamento do Território.

Fonte próxima da investigação, que teve início em 2017, adiantou ao DN que estão também envolvidas empresas alemãs e que estão em causa "milhões de euros", não só nas fraudes à UE, mas também em fraude fiscal (IVA) ao Estado português.

No terreno estiveram cerca de 100 inspetores da Unidade Nacional de Combate à Corrupção da PJ, acompanhados por três magistrados do Departamento Central de Investigação e Ação penal (DCIAP) e elementos da Autoridade Tributária. As buscas foram realizadas no Porto, Leiria, Lisboa e Faro. Não há detenções até ao momento.

De acordo com um comunicado oficial do DCIAP, no âmbito deste inquérito, "em datas anteriores, haviam já sido realizadas 54 buscas (algumas fora de território nacional) e sido constituídos 52 arguidos (pessoas singulares e coletivas) pelo que, no total, o inquérito tem, neste momento, 73 arguidos"

O processo foi declarado de "excecional complexidade" e encontra-se em segredo de justiça.

O gabinete de imprensa do ministério da Administração Interna, que tutela a secretaria de Estado da Proteção Civil, não quis prestar esclarecimentos.

(Notícia atualizada às 16h50 com o comunicado do DCIAP)