Premium "Ela disse que isto ia acontecer." Violência anterior desvalorizada pelo MP

Segunda-feira ia ser um dia complicado para a família Cabrita - havia audiência de regulação do poder paternal. Nesse dia, Pedro matou a sogra, no dia seguinte a filha. E cumpriu-se a profecia de Sandra Cabrita, filha e mãe das vítimas, ex-mulher do agressor, e que já tinha feito queixa à polícia - desvalorizada pelo MP.

"Ela disse que isto ia acontecer." Foi com esta frase arrepiante que uma mãe comentou o crime desta semana - um pai a matar a filha de 2 anos e a ex-sogra - num grupo privado do Facebook dedicado a famílias monoparentais. Sandra Cabrita - mãe e filha das vítimas - era amiga de várias pessoas deste grupo. E teria partilhado com as companheiras virtuais o risco que corria: Sofia Abreu, uma das mães do grupo, tinha conhecimento da história "das constantes ameaças de morte à Sandra e à família", desde, pelo menos, novembro de 2018.

"Uma amiga da Sandra contou-me que ela vivia aterrorizada e que já tinha feito várias queixas à polícia", disse ao DN.
Neste grupo, depois desta história macabra, ninguém entende como "uma vítima de violência doméstica é obrigada a estar no mesmo espaço do agressor", que era o que iria acontecer nesta segunda-feira quando o ex-casal se encontrasse no Tribunal de Família e Menores do Seixal para tentar chegar a acordo em relação à regulação do poder paternal - um processo aberto desde 2016. O perigo que corria ficou demonstrado pelo que aconteceu.

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