DGS estuda uso de máscara obrigatório em crianças e espaços públicos

Especialistas estão a rever as normas em vigor sobre a utilização de máscaras, tendo em conta as novas orientações da OMS que aconselham o uso a crianças a partir dos seis anos. Há ainda a hipótese de passar a ser necessário usar máscara em ruas movimentadas.

A Direção-Geral da Saúde (DGS) está a estudar a possibilidade de uso obrigatório de máscaras para crianças a partir dos seis anos e para todas as pessoas em espaços públicos, confirmou, esta sexta-feira, em conferência de imprensa, a diretora-geral da Saúde.

Esta revisão da norma será sempre proporcional ao risco das diferentes atividades, segundo Graça Freitas. "Ir a uma rua movimentada numa cidade é diferente de passear o cão às 22:00 numa zona não movimentada. Portanto, teremos de ter esse bom senso e sentido da proporcionalidade" na hora de rever as orientações sobre o uso de máscaras, continua a diretora-geral da Saúde.

Os especialistas da DGS estão a revisitar a norma em vigor a partir de três aspetos. Um será baseado na recém-publicada orientação da Organização Mundial de Saúde que recomenda a utilização de máscaras a crianças a partir dos seis anos. "Esse é um fator que estamos a estudar, a DGS com os seus colaboradores, sobretudo na área da pediatria, mas também na área do programa de prevenção e controlo da infeção", informou Graça Freitas.

Outro aspeto em análise é o uso deste equipamento de proteção individual em espaços públicos ao ar livre. Está em cima da mesa a possibilidade de se tornar obrigatório o uso de máscara na rua, como já acontece em Espanha, por exemplo. Pelo menos nas ruas mais movimentadas, esclareceu a diretora-geral da Saúde, que sublinhou ainda que até aqui a postura tem sido apenas de forte "recomendação e só em situações extremas de sanção".

No entanto, Graça Feitas deixa claro que haverá uma "destrinça entre espaços públicos que são frequentados por várias pessoas em simultâneo e os que não são frequentados praticamente".

Outra ângulo a ser considerado é a atualização da informação sobre as diferentes máscaras disponíveis - que pode não ser publicada sob a forma de orientação, mas sim de um folheto informativo.

"Temos de ter a humildade de revisitar as nossas orientações. Fazê-lo com os parceiros, os especialistas e o principio da proporcionalidade parece-me muito importante", disse Graça Freitas.

Em Portugal, nas últimas 24 horas, foram confirmados mais 401 casos de covid-19, seis vítimas mortais e 199 recuperados da doença provocada pelo novo coronavírus. No total, desde que a pandemia começou, registaram-se 57 074 infetados, 1 815 mortes e 41 556 pessoas curadas.

Nos últimos três dias, o número de casos diários tem vindo a aumentar, tendo ficado sempre acima das 350 infeções. Questionada pelo DN, durante a conferência de imprensa, sobre esta realidade, a diretora-geral da Saúde referiu que "é precoce conseguir explicar, mas há um clima favorável a que isso possa acontecer", ou seja, a que os casos diários possam continuar a crescer.

"Há um aumento da atividade do vírus em toda da Europa e estamos a tentar um equilíbrio entre medidas de saúde pública e a retoma da vida normal, como o turismo. Com isso, há um maior contacto de pessoas e pode gerar um aumento do número de casos", disse Graça Freitas.

A responsável pela DGS apontou ainda que os casos se "têm disseminado e constituem surtos", mas ao mesmo tempo o crescimento "não é exponencial."

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