DGS estuda alargamento da rede de resposta ao coronavírus

Neste momento, estão destacados três hospitais (dois em Lisboa e um no Porto) para lidarem com suspeitas do novo coronavírus. Esta quarta-feira, as autoridades de saúde reuniram-se para pensar no alargamento desta rede, caso o surto epidémico venha a desenvolver-se em Portugal.

Em 2009, quando a Gripe A (o último surto epidémico) causou alarme existiam oito hospitais/ laboratórios de prevenção, preparados para dar resposta a casos de infeção. Hoje, a rede cresceu, está mais preparada e já conta com vinte instituições associadas, garante o presidente do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), Fernando Almeida, em conferência de imprensa, esta quarta-feira, na Direção-Geral da Saúde (DGS). Caso seja necessário, as autoridades de saúde estão a preparar-se para alargar a resposta ao novo coronavírus, que, neste momento, passa por três hospitais (Curry Cabral, D. Estefânia e São João).

A DGS, o INSA, administrações regionais de saúde, o INEM e outras entidades reuniram-se, esta quarta-feira, com o objetivo de "atualizar os procedimentos" de resposta a surtos. Olharam para os planos de ação elaborados para o Ébola ou para Gripe A e simularam o que poderá ser feito desta vez, caso Portugal venha a registar casos de infeção pelo novo coronavírus, com origem na cidade chinesa de Wuhan e que já provocou 500 mortos.

"Havia que acertar alguns pormenores de apoio técnico e de recursos humanos", explicou o presidente do INSA. Nomeadamente sobre o tipo de resposta a ser dada nas regiões autónomas da Madeira e dos Açores, que caso registem alguma suspeita de contaminação, as pessoas não terão de ser transferidas para o continente, em princípio.

"Nós estamos a preparar-nos para a eventualidade de haver uma escalda. Se não houver melhor, mas estamos preparados, além do que estamos a fazer no dia-a-dia. A preparação nunca é inútil", refere a Diretora-Geral da Saúde, Graça Freitas.

Suspeitas de infeção não se confirmaram

Esta terça-feira, a DGS confirmou mais dois casos suspeitos de infeção por coronavírus, que se revelaram negativos, horas mais tarde. Dois homens, com 40 e 44 anos, residentes na zona da Grande Lisboa, foram reencaminhados para o Hospital Curry Cabral e foram sujeitos a análises, que deram negativo. Ao todo, registaram-se quatro casos suspeitos em Portugal, mas nenhum foi validado.

Quanto aos vinte cidadãos, que chegaram a Portugal no domingo à noite vindos de Wuhan, e que se encontram em isolamento profilático, no Hospital Pulido Valente e no Parque da Saúde de Lisboa, estes continuam a não apresentar sintomas coincidentes com os do surto da China (febre, dificuldade respiratória, fadiga). "Estão todos estáveis e melhorou-se bastante as condições do isolamento profilático", repetiu Graça Freitas. Entretanto, foi-lhes dado um espaço para que possam praticar exercício físico e outro local para estarem.

Continua a não saber-se quando estas pessoas deverão repetir as análises que detetam a presença do surto. Como não apresentam sintomas e têm cumprido todas as indicações que lhes são dadas, como o uso de máscara, isto não é uma prioridade. "Às vezes, não há vantagens em repetir testes, porque implicam alguns procedimentos", explicou a Diretora-Geral da Saúde.

A pneumonia emergiu na cidade chinesa de Wuhan há um mês e foi provocada por um novo coronavírus, anteriormente desconhecido da ciência. Sobre a origem do vírus, batizado assim devido à sua forma que faz lembrar uma coroa, também ainda não há certezas. Sabe-se apenas que o surto emergiu a partir de um mercado de venda de peixe fresco, marisco e outros animais vivos, incluindo espécies selvagens, como morcegos e cobras. O último balanço aponta para 500 mortos e mais de 24 mil infetados.

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