Contágio de Luís Sepúlveda. Autoridades pedem a "contactos próximos" que fiquem em casa

Saem a 'conta-gotas' as medidas em Portugal relacionadas com a passagem pela Póvoa de Varzim do escritor chileno Luís Sepúlveda, infetado com o Covid-19. Hotel Axis Vermar, onde esteve alojado, não presta esclarecimentos

O "grupo de trabalho" criado pela Câmara Municipal da Póvoa de Varzim para acompanhar os 'danos colaterais' da passagem pelo município, há uma semana, do escritor chileno Luís Sepúlveda, infetado com o novo coronavírus, pede a "todos os funcionários / colaboradores que contactaram diretamente, no espaço de 1 a 2 metros, com o autor" que fiquem em casa e evitem contactos sociais". Devem ainda "verificar a temperatura duas vezes por dia".

Luís Sepúlveda, 70 anos, foi hospitalizado este sábado, depois de ter confirmado estar infetado com o novo coronavírus, Covid-19. Também a mulher, de 66 anos, está internada. Ambos foram transferidos para o Hospital Central das Astúrias, em Oviedo, Espanha.

O município foi o responsável pela organização do evento literário Correntes d' Escrita, onde esteve o autor e por onde passaram centenas de pessoas.

De resto, Manuela Ribeiro, organizadora do evento, afirmou ao jornal Expresso que o escritor já estava "bastante constipado" quando deixou a Póvoa.

Em comunicado publicado no site, a Câmara acrescenta ainda que essas pessoas em quarentena devem "registar a temperatura duas vezes por dia" e contactar a linha SNS24. Não foi ainda divulgado pelas autoridades de Saúde o número de pessoas consideradas "contacto próximo" com Sepúlveda nem quantas já estão confinadas em casa.

Situações não esclarecidas

Outras situações também não foram ainda esclarecidas: se foram e quais as medidas de contenção e prevenção tomadas em todos os locais onde esteve Luís Sepúlveda durante a sua estadia naquela localidade (entre 18 a 23 de fevereiro). Por exemplo no hotel Axis Vermar onde esteve alojado.

O hotel não presta esclarecimentos sobre o assunto. Contactado pelo DN e apesar da nossa insistência em obter informações sobre o que estava a ser feito, o funcionário Pedro Sampaio recusou-se a passar o telefone a algum responsável do hotel. "Não tenho autorização para fazer isso. Não há ninguém disponível para falar", respondeu. Questionado se, como funcionário, lhe tinha sido comunicado alguma medida, não respondeu também.

Este hotel albergou vários dos participantes do evento literário Correntes d'Escritas, que, tal como Luís Sepúlveda, não só ali dormiam, como faziam todas as refeições.

Além do hotel, o escritor esteve no cine-teatro Garret onde decorreram as sessões do evento literário. No dia 20, participou numa mesa redonda com os escritores José Luís Peixoto, Paula Lobato Faria, Marta Orriols e José Gardeazabal. Na sua página de facebook, José Luís Peixoto já veio dizer que está de boa saúde, mas que vai contactar a linha SNS24.

Outro possível foco de contágio pode ter sido o autocarro que diariamento fazia dezenas de viagens de transporte dos autores participantes no Correntes d'Escrita entre o hotel e o cine-teatro. Entre eles, naturalmente, Luís Sepúlveda.

A Direção-Geral de Saúde (DGS) apela à "serenidade de todos os cidadãos que estiveram em contacto próximo" na Póvoa de Varzim com o escritor chileno, infetado com coronavírus, e pede para que liguem à linha SNS 24. A DGS adianta ainda que "a Autoridade de Saúde da região Norte deu início à Investigação Epidemiológica, ou seja, identificando os contactos próximos do doente e da mulher".

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