Casal que morreu com 24 horas de diferença. Família foi autorizada a visitar para se despedir

Em situações críticas e de fim de vida, poderão ser permitidas visitas de familiares, como aconteceu a este casal que esteve internado no Hospital Pedro Hispano

Tornou-se viral viral esta sexta-feira uma fotografia emotiva publicada pela Unidade Local de Saúde de Matosinhos de um casal, de mãos dadas, que foi internado no Hospital Pedro Hispano com 24 horas de diferença e que acabou por morrer por Covid-19, com a mesma diferença horária.

No Facebook, a Unidade Local revelou que "a equipa da Ala O, onde estiveram internados, tudo fez para que partissem em paz, proporcionando-lhes o momento a que tinham direito com toda a calma, tranquilidade e serenidade" e que "a família também pode estar presente com cada um, com todas as medidas de segurança".

Apesar de as visitas estarem suspensas em situações de pandemia, quando possível são permitidas exceções de situações de vida, para que os familiares se possam despedir. "Estas situações são situações críticas e de fim de vida. Apesar da questão da suspensão das visitas, nestas circunstâncias é possível que aconteçam", revelou ao DN a assessora de imprensa do Hospital Pedro Hispano, Paula Carvalho, que explicou que a fotografia só foi partilhada pela Unidade de Saúde porque já tinha sido tornada pública pela família.

Mesmo em tempos de pandemia, "a humanização sempre foi uma prioridade", "apesar de toda a exigência para com a segurança". "Não se pode deixar de ter este cuidado com os nossos utentes", frisou, contando como se processam este tipo de visitas de despedida.

"Há um contacto da equipa de profissionais de saúde à família e é permitido à família estar presente. Não é só na hora da morte. Nos cuidados intensivos, sempre que uma pessoa está a entrar numa situação mais crítica e em que se prevê que o desfecho seja a morte, a família sempre foi envolvida", explicou, referindo que estas visitas são realizadas sob apertadas medidas de segurança sanitária.

"Os familiares têm de estar completamente equipados e estas visitas são sempre supervisionadas, para serem cumpridos todos os critérios de segurança. Os familiares têm de se fardar e desinfetar. Há sempre a presença de profissionais de saúde", explanou a assessora de imprensa do hospital.

A possibilidade de estas visitas se realizarem depende sempre, porém, do contexto existente na unidade em que cada doente esteja internado. "Por vezes é muito difícil, depende de onde estão internados os doentes. Há uma série de dificuldades. Tem muita a ver com as equipas e com a atenção que se dá ao doente", afirmou Paula Carvalho.

A emotiva fotografia do casal, publicada esta sexta-feira às 10.30, já atingiu mais de 4600 reações, 2800 partilhas e 270 comentários.

Episódio semelhante aconteceu esta sexta-feira a um casal do lar de Nossa Senhora da Conceição, da Caridade de Ponte de Lima, que fez subir para três os óbitos provocados pelo surto de covid-19. O diretor da instituição daquele concelho do distrito de Viana do Castelo, Agostinho Freitas, explicou que o casal, "marido e mulher, de 89 e 90 anos, morreram, na quinta-feira, à mesma hora, no hospital de Santa Luzia", em Viana do Castelo.

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