Avião com passageiros chineses que aterrou nos Açores já seguiu para França

Aeronave saiu de Hong Kong no dia 25 de janeiro e aterrou sábado nos Açores. Esta manhã, os 11 passageiros, que não tinham sinais de doença, seguiram viagem com o avião privado a partir ​​​​​​para França.

O avião privado com 11 passageiros e três tripulantes a bordo, alguns de nacionalidade chinesa (embora nenhum de Wuhan), que aterrou sábado em Ponta Delgada, nos Açores, já deixou os Açores. Às 11.30 da manhã desta segunda-feira, o avião partiu com destino a França, como se pode ver nos registos do site flightaware.com

Esteve assim quase três dias em Ponta Delgada. O aparelho tinha saídode Hong Kong no dia 25 de janeiro - ou seja, há apenas oito dias, ao contrário do que referia o comunicado do governo regional. Segundo a nota enviada à comunicação social pelas autoridades de saúde dos Açores e citada pelo Açoriano Oriental, o grupo de turistas tinha saído de Hong Kong há mais de 15 dias, tendo passado também pelo Japão, Islândia, França e Haiti.

Não é isso que dizem os registos do avião. Segundo os registos dos voos antes de chegar a Ponta Delgada - nomeadamente no site Flight Aware - o avião privado saiu a 25 de janeiro de Hong Kong para Tóquio, de seguida foi para Le Bourget, em Paris, a 26 de janeiro, de onde partiu para a Islândia, a 28 de janeiro. Da Islândia, onde não teve autorização para fazer descer os passageiros, foi para a República Dominicana, passou por Port-au-Prince, no Haiti, e de seguida para o aeroporto de João Paulo II em Ponta Delgada, nos Açores. Os passageiros ficaram em Ponta Delgada, alojados num hotel local, com o plano de voo do avião a prever partida para França na segunda-feira de manhã.

Segundo a nota da entidade regional de saúde à comunicação social, os passageiros estariam fora do período de contágio do coronavirus - entre 2 a 14 dias. Dizia que "sendo o período de quarentena recomendado de 14 dias, não tinha havido necessidade de qualquer precaução especial". Explicava que depois de a situação ter sido avaliada pela autoridade de saúde concelhia e regional, todos os passageiros tinham sido observados de forma preventiva. A diretora-geral de Saúde, Graça Freitas, confirmou a chegada deste voo e garantiu que foi feito o rastreamento dos cidadãos chineses, que não apresentaram sintomas. Além disso, "não vêm da zona que é epicentro da doença", pelo que, defendeu, não se justificava qualquer medida de restrição de entrada dos passageiros em causa.

Esta viagem foi bastante atribulada, ainda antes de ter desembocado na polémica regional. Depois de ter visto recusada a aterragem nas Bahamas, o seu destino original, e só ter sido autorizado a reabastecer na República Dominicana, devido às medidas restritivas impostas por vários países na sequência do atual surto de coronavírus que teve origem em Wuhan, na China. As autoridades regionais dos Açores, no entanto, descartaram qualquer risco para a saúde pública.

Os passageiros, que pretendiam assistir à aurora boreal na Islândia, integrados num pacote turístico, já teriam sido impedidos de desembarcar na Islândia. Apontando como novo destino as Bahamas, o avião viu a autorização de aterragem negada pelas autoridades locais, que fecharam as fronteiras a passageiros que tenham estado na China nos últimos 20 dias.

Das Bahamas, a aeronave seguiu para o Haiti, onde aterrou na capital, Port-au-Prince, mas nenhuma das pessoas a bordo foi autorizada a sair. "Eles não podem desembarcar por todas as razões que sabem, a possibilidade de transmissão do coronavírus", segundo disse ao jornal The Miami Herald o diretor de operações no aeroporto de Toussaint Louverture, Ernst Renaud.

Segundo um porta-voz do governo haitiano, França e Portugal aceitaram receber o aparelho e os passageiros. A escolha dos pilotos recaiu sobre Ponta Delgada, nos Açores, onde o avião aterrou este sábado.

As novas informações vão contra o que foi dito pela coordenadora regional, Ana Rita Eusébio, e pelo delegado de Saúde Pública de Ponta Delgada, Eduardo Cunha Vaz. Ambos garantiram que não existia qualquer risco específico para a saúde pública relacionado com este voo.

Apesar de ser certo que nenhuma das pessoas a bordo é proveniente de Wuhan, nem teve qualquer contacto com pessoas suspeitas de infeção e nenhum apresenta qualquer sinal ou sintoma da doença, e que em Hong Kong não existem muitos casos da pandemia - o facto de não ter havido um controlo mais apertado está a receber várias críticas. Aguardam-se novas informações das autoridades.

Relembre-se que a Organização Mundial de Saúde, que já declarou emergência de saúde pública global por causa do surto coronavírus, opõe-se a "todas as restrições de viagens". Segundo o diretor-geral da organização, o etíope Tedros Adhanom Ghebreyesus, as restrições à circulação de pessoas e bens durante uma emergência de saúde pública internacional podem ser ineficazes, perturbar a distribuição de ajuda e ter "efeitos negativos" na economia dos países atingidos.

A China elevou este domingo para 304 mortos e mais de 14 mil infetados o balanço do surto de pneumonia provocado por um novo coronavírus (2019-nCoV) detetado em dezembro passado, em Wuhan, capital da província de Hubei.

Os EUA restringiram a entrada no seu território de estrangeiros que tenham visitado a China, abrindo excessões a familiares diretos de cidadãos norte-americanos ou residentes permanentes. Também a Austrália nega a entrada a estrangeiros que tenham vindo da China. As Bahamas também proibiram qualquer pessoa que não viva na ilha, independentemente da nacionalidade, que tenha visitado a China nos últimos 20 dias de entrar. Os residentes são sujeitos a quarentena.

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