O que podemos esperar da passagem da prova em Portugal?.Esta prova tem um grande impacto económico em Lisboa mas tem um impacto ainda maior em Alicante, que é a 15.ª maior cidade espanhola. É o segundo evento mundial com mais impacto mundial, apenas atrás do Grande Prémio de Fórmula 1 de Silverstone. Alicante é uma cidade pequena, mas beneficia de um enorme impacto económico. Lisboa tem tudo a ver com a Volvo Ocean Race (VOR). A convocatória que faço para que possamos receber bem esta prova, por duas razões. Não é todos os dias que temos, com um mero passeio, o quinto maior evento desportivo do Mundo, e, por outro lado, Lisboa devia ambicionar ter uma ligação mais duradoura, efetiva e permanente com a VOR. Isso faz-se por sinais..Esse sinal já é a olhar para próximas edições?.Não só para as próximas edições como para o meio delas. Lisboa seria uma grande sede da VOR, se quisesse ser. Lisboa tem tudo para ser a sede da VOR. Começa-se a tratar disso agora, com um sinal claro dos portugueses, de ligação e construção de camadas de relacionamento entre a comunidade e a prova. Portugal faz muito mais sentido com o mar e muito mais sentido com o rio. O Rio, a VOR e o Atlântico são uma ligação umbilical. Se tudo correr bem, se conseguirmos 500 mil pessoas a visitar, se conseguirmos o maior e melhor stopover da VOR, Lisboa será insubstitutível na história da VOR..O que vão fazer de diferente em relação a 2012?.A prova vai ter uma maior abertura à comunidade. Uma coisa é, por exemplo, ir ver a Fórmula 1 a partir da bancada e outra é poder tocar no carro. Na VOR, as pessoas podem tocar nos barcos, falar com as equipas. A VOR alterou a relação com o público. Provavelmente é a prova desportiva com mais abertura para quem a visita. Contamos com o apoio da Câmara e com o Porto de Lisboa. Queremos misturar a comunidade da vela com a população..Serve para quebrar o "elitismo" da vela?.Sim. Nem toda a gente pode ter um barco como os da VOR, mas pode experienciar este evento de forma muito próxima. Também queremos misturar as equipas com os clubes locais e nacionais de vela. Além disso, o Porto de Lisboa e a Direção-Geral de Política do Mar estão a ajudar-nos a que perdure na agenda o mar económico que tantas vezes perdura nos jornais. É preciso perdurá-lo na cabeça dos portugueses..A prova também traz consigo muitos patrocinadores, que viajam um pouco por todo o mundo. Também vamos ter bastante patrocinadores nacionais associados. A prova transforma-se num polo de atração comercial e económico e pode mesmo servir para encontrar novos parceiros, clientes e até mercados. É uma prova sexy para o público e amiga do investimento..Lisboa é a última grande paragem da Europa, a última vez que saem da água e que ficam visíveis..Como é que as pessoas podem ver os barcos?.Haverá uma zona em que os barcos vão ser tratados. Também podem visitar as boxes. Vai haver uma série de concertos e de ativações das marcas. É a mistura de um grande evento desportivo com um grande evento musical, com um sítio de encontro com o Verão, num local com uma paisagem única..Tudo isto num investimento conjunto de quatro milhões de euros..O investimento da Urban Wind é de três milhões de euros, um milhão acima do que ficou registado no caderno de encargos, porque achámos que seria importante em coisas essenciais, sobretudo na área para as empresas..A Urban Wind também espera recuperar este investimento....Aqui entra o lado do empresário. É preciso olhar para os números e fazer as contas. 2015 é um ano de desafio económico e financeiro. Irá chegar a altura de agradecer aos patrocinadores. Há um lado de médio e longo prazo. Queremos criar uma ligação permanente de Lisboa com a VOR entre 2015 e 2018. Também estamos a olhar para a edição de 2018 e também ambicionamos ser a sede da prova..Em 2012, João Lagos manifestou a ambição de ser criada uma equipa lusófona para esta prova. O objetivo mantém-se?.É um investimento muito grande. Não sei se haverá disponibilidade para isso. Para já, temos um português na VOR, na equipa espanhola Mapfre. A Urban Wind teve tão pouco tempo para organizar esta edição que nem sequer se preocupou com essas questões. Sei desses interesses e de algumas conversas. Para já, queremos criar uma ligação permanente de Lisboa com a VOR.