A União Europeia (UE) está há tanto tempo tão alinhada, dependente e submissa aos EUA que os seus responsáveis não conseguem vislumbrar o caminho a fazer, de espinha direita, para sair dos apertos em que Trump os meteu.As acções e posições de Donald Trump tornam cada vez mais insustentável a atitude da UE de submissão aos EUA e as contradições que daí resultam são já indisfarçáveis. As declarações públicas dos responsáveis das potências que integram a UE mostram que, por um lado, querem preservar a todo o custo as relações com os EUA nos termos em que elas estão fixadas há décadas, mas, por outro lado, não sabem já como lidar com o desprezo, a desconsideração ou até a animosidade com que a Administração norte-americana impõe os interesses dos EUA à custa dos interesses dos seus “aliados”, que trata como vassalos. Muito menos parecem saber como lidar com a circunstância de serem identificados como obstáculos aos objectivos políticos e económicos dos EUA ou alvos da sua ofensiva agressiva e exploradora.Descontando encenações de discordância de pouco significado, a atitude dos principais responsáveis das instituições da UE face a Trump tem sido a de manter a submissão aos EUA, apoiando, aceitando ou, pelo menos, sendo complacente com as decisões e opções do actual presidente dos EUA e dos interesses que este representa.Se Trump admite agir com exclusiva preocupação e em função da estrita visão dos interesses norte-americanos, ainda assim os responsáveis das instituições da UE acenam diligentemente com a cabeça, assentindo na afirmação de tais posições, fazendo seus os critérios que as norteiam e interiorizando o carácter imperativo das respectivas decorrências. E mesmo quando, por azar dos Távoras, sai em sorte à UE ser o alvo da atoarda do presidente dos EUA, a atitude dos seus responsáveis é a de aceitar o mal e limitar-se à gestão do prejuízo. Julgam que, demonstrando que merecem estar nas boas graças do aliado norte-americano, alcançam a mitigação dos estragos causados pelas suas pretensões.Chegados a esse ponto, os responsáveis da UE vêem-se subitamente em contrapé quando confrontados com as pretensões de Trump relativamente à Gronelândia. A garantia de segurança invocada como justificação da NATO e dos gastos feitos com esse bloco político-militar agressivo parece desfazer-se em pó. A invocação dos princípios do direito internacional, do respeito pela soberania nacional ou da recusa do uso da força nas relações internacionais aparecem em contradição com as posições assumidas pela UE de apoio aos EUA sempre que ambos agiram à margem ou em confronto com essa referências e critérios. A dependência económica, política e financeira em que a UE crescentemente se foi colocando face aos EUA aparece como um verdadeiro colete de forças que condiciona e limita a possibilidade de contrariar as intenções anunciadas por Trump.O afunilamento da UE no reduto dos critérios de relacionamento internacional da designada relação transatlântica com os EUA enfraquecem a possibilidade de uma resposta por via da ampliação das relações políticas e económicas com outros países e regiões do mundo.Na política não há becos sem saída. Mas que os responsáveis da UE estão com dificuldades em encontrar uma, lá isso estão. EurodeputadoEscreve sem aplicação do novo Acordo Ortográfico