Um mês de diálogo com África sobre transição verde

O planeta enfrenta um momento decisivo na luta contra as alterações climáticas! Estamos a ficar sem tempo para tornar as nossas economias mais verdes e evitar o ponto a partir do qual as alterações climáticas escaparão ao nosso controlo!

Na União Europeia (UE) estamos a fazer a nossa parte, prevendo reduzir 55% das emissões até 2050, nos termos do Acordo de Paris. É uma decisão importante e ambiciosa, mas a UE representa menos de 10% das emissões globais. Não podemos travar sozinhos as alterações climáticas. Todos os países do mundo têm de fazer a sua parte.

A situação em África é ainda mais assimétrica e injusta: por um lado, contribui com apenas 4% do total global de gases com efeito estufa, por outro, é um continente profundamente afetado pelas alterações climáticas.

A transição verde constitui uma oportunidade para África dar um salto qualitativo na sua dinâmica de industrialização, criar mais emprego, reduzir desigualdades, melhorar a saúde pública e criar meios de subsistência sustentáveis. É uma transformação que pode gerar crescimento económico sustentável durante décadas.

Investir no verde compensa
Para esta transição, África precisa de grandes investimentos. É por esta razão que Portugal se uniu ao Banco Europeu de Investimento, para o combate às alterações climáticas.

Coorganizámos, desde março, um mês de diálogo entre a UE e África sobre transição e investimento verdes. Realizámos 26 Green Talks em capitais africanas e europeias, com o objetivo de demonstrar que podemos ter modelos de negócio sustentáveis e verdes. Trinta dias em que nos reunimos com governantes, empresários, académicos, organizações não governamentais, em que ouvimos a sociedade civil dos dois continentes.

Tornar as economias africanas mais verdes significa reforçar a sua competitividade e a sua integração nas cadeias de valor regionais e globais, contribuindo para gerar emprego e riqueza que satisfaçam as necessidades de uma população crescente, promovendo o desenvolvimento sustentável.
É também por isto que a UE tem de ser um parceiro-chave no financiamento dos investimentos em África.

O novo Instrumento de Vizinhança, Desenvolvimento e Cooperação Internacional - Europa Global, concluído há poucas semanas durante a presidência portuguesa do Conselho da UE, destina quase 30 mil milhões de euros à África subsariana entre 2021-2027. Mais, estabelece uma meta de despesa de 30% dos seus quase 80 mil milhões de euros para objetivos climáticos.

Diplomacia verde
O Fórum de Alto Nível UE-África de Investimento Verde, a 23 de abril, que todos podem acompanhar e participar online, conjuga dois dos pilares fundamentais da nossa presidência: África como prioridade na agenda externa e a Agenda Verde como elemento de ação transversal.

Contamos com a presença de decisores políticos dos dois continentes, líderes do setor privado e da sociedade civil. Apenas com a perspetiva de todos podermos traçar de forma eficaz e consequente o caminho a seguir.

Ao longo destes 30 dias de Green Talks tivemos uma reação muito positiva em África e na Europa. Além de colocar a transição verde na ordem do dia, descobrimos soluções inovadoras e criativas em África. Estamos a ouvir os nossos parceiros e a passar das palavras às ações, num exercício de diálogo e de diplomacia climática nunca feito no plano europeu.

As conclusões do fórum serão fundamentais para a relação entre os dois continentes e contribuirão para a próxima Cimeira UE-União Africana, onde as questões ambientais constarão inevitavelmente da agenda política. Esta é a principal preocupação das gerações mais novas e é para garantir o seu futuro que iremos trabalhar.

Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação

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