Tempos difíceis: Recuperação ou Inflação e Caos económico?

A União Europeia planeou uma recuperação económica assente num pacote de investimento de grande dimensão destinado a ajudar as empresas a sair rapidamente da crise. Na verdade o capitalismo ocidental vive essencialmente dos estímulos económicos públicos que vão transformando pensões e subsídios sociais em subsídios às grandes empresas.

O Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) surge exatamente na mesma direção, grandes subsídios a empresas ou grandes compras estatais em contrapartida da redução geral do emprego, dos salários e dos benefícios sociais.

A redução dos salários está a ocorrer através de dois mecanismos: por um lado o despedimento e a reentrada no mercado de trabalho com salário mais baixo e, por outro lado, o aumento do trabalho dito independente (recibos verdes, empresas uninominais, etc.) sem direitos sociais. Esta última forma de redução salarial está muitas vezes associado às chamadas plataformas digitais (Uber, Glovo, etc.) porta estandartes da nova economia digital.

Mas quando tudo parecia planeado e previsto o caos instala-se na economia europeia. Dois problemas centrais estão a aprofundar a crise: a escassez de mão-de-obra e a energia.

Em vários países faltam trabalhadores para os setores da construção, dos transportes, dos serviços domiciliários. Sem construção e transportes não há recuperação económica. Estabelecem-se à pressa programas de formação, mas só a imigração pode resolver o problema.

Portugal tem trabalhadores com experiência nestes setores. Vai aumentar a emigração portuguesa rumo ao centro da Europa.

Por outro a aposta em mercados fracamente regulados para o setor da energia está a relançar a inflação e a criar uma enorme disrupção nas cadeias de valor, atrasando ou paralisando a produção de um número elevado de bens e serviços. Um pouco por toda a Europa temos assistido a interrupções do fornecimento de energia. No Reino Unido dezenas de empresas de gás estão na falência e o abastecimento de combustíveis está a ser assegurado pelo exército. As prateleiras dos supermercados começam a esvaziar-se em vários países.

A questão do acesso à energia agudiza-se e está a tornar-se planetária. A China também tem tido cortes de energia e compreensivelmente está a incrementar a suas reservas de gás e petróleo, fazendo aumentar os preços. A União Europa parece paralisada. Portugal, por seu lado, está completamente imóvel. Os países exportadores de energia como os Estados Unidos rejubilam - fazem os outros pagar a fatura da crise.

Os preços da eletricidade sobem de forma irracional tornando-se a ignição de um processo inflacionista que já começa a ser visível. Volta a falar-se da estagno-inflação. Com este aumento os custos de produção das empresas sobem e o poder de compra dos trabalhadores desce. Uma receita para novo ciclo de crise internacional.

No topo de tudo isto temos o fim das moratórias de crédito que são uma ameaça ao sistema financeiro. Os Estados Unidos criaram subsídios para as famílias manterem os seus pagamentos de empréstimos à habitação, por cá não houve essa preocupação.

No meio desta tempestade a Alemanha não tem Governo, a França mantém Macron um político fraco recentemente humilhado pela

Austrália e que pouco antes fora esbofeteado em público por um popular descontente e os Estados Unidos estão em risco de entrar em incumprimento da dívida pública.

Esperam-nos tempos tormentosos.

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