Também temos a nossa guerra

Na altura em que grande parte do País está a banhos, quase tudo parece adormecido. A política está interrompida, com exceção de uma ou outra intervenção para prova de vida; a economia está mais parada, com exceção do setor do turismo, e as urbes foram substituídas pela areia das praias. Tudo se conjuga para que as mentes possam repousar e voltar no final do mês à produtividade. Produtividade que, como sabemos, já é baixa também no resto do ano.

No meio desta aparente normalidade para agosto, as notícias insistem em manter-nos atentos aos conflitos pelo mundo, ainda que apenas os mais mediáticos ou, se quiserem, os que envolvem países noticiáveis. É o caso da guerra da Ucrânia, que teima em não ter solução à vista, estando o fim apenas dependente do invasor retirar-se do país do invadido, já que este não pretende atacar ou retaliar, mas apenas defender-se.

Como os países que tendem a ser grandes no assunto guerra, armas, dinheiro, etc., não gostam de perder o seu protagonismo, dois dos grandes resolveram instigar-se mutuamente a propósito de um assunto de conflitualidade latente: Taiwan. O governo Chinês aproveitou a oportunidade da desnecessária visita de Nancy Pelosi ao território, para fazer uma demonstração de força e lembrar ao mundo que não desistiu da intenção de anexar o país.

Podemos evitar muitas perdas se prevenirmos, direcionando mais a estratégia para a floresta e não apenas para os meios de combate aos fogos.

Nos últimos dias Israel e a Palestina lembraram-nos que têm assuntos pendentes. Este é outro foco de guerra que nunca se apaga. Como um vulcão, de tempos a tempos reacende-se e lembra ao mundo que está vivo.

Por cá também temos a nossa guerra, que é sazonal e cada vez mais devastadora: os incêndios. Quando chegamos ao verão o país invariavelmente arde e, se não arder mais que no ano anterior, considera-se um bom ano. Os bombeiros não têm descanso, os meios nunca são suficientes e os media enchem-se de especialistas em fogo e em florestas que nos vão dando a sua opinião. Invariavelmente a conversa aponta no sentido de que é preciso manter as florestas limpas e plantar verdadeiras florestas o mais autóctones possível. Existem "pinhais" e "eucaliptais" a mais e florestas a menos. Mesmo os que nada sabem do assunto, sabem que a diversidade, no que quer que seja, é positiva e plantar com regras e com diversidade é, como nos dizem os especialistas, um caminho para a redução de fogos. Teremos sem dúvida necessidade de investir em mais e melhores meios de combate, mas podemos evitar muitas perdas se prevenirmos, direcionando mais a estratégia para a floresta e não apenas para os meios de combate aos fogos. Talvez valha a pena juntar engenheiros florestais e economistas e criar um meio de financiar os pequenos produtores e os herdeiros para quem as leiras de floresta herdada são um quebra-cabeças, para uma nova forma de plantar e de limpar. Talvez se o financiamento assentar na ausência de fogo, haja mais entusiasmo em manter as árvores. Parece-me um bom assunto para descentralizar a ação e para ouvir os que investigam e ensinam na área.

Presidente do Instituto Politécnico de Coimbra

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