Outro resumo alternativo, que também daria bom título, a propósito do último golpe em Bissau, seria, “A Guiné não existe”, expressão que me foi uma vez verbalizada, por um espanhol que conhece bem a coisa por dentro!Elmer Araújo, jornalista e politólogo bissau-guineense, relatou para uma rádio portuguesa, “um golpe de teatro”! Porquê?Quarta-feira 26, registou-se o primeiro golpe-de-estado manu militari, no mundo, durante o qual o alvo, o sequestrado, pega no telefone e avisa/relata à revista Jeune Afrique, o que estava a acontecer, em directo e na primeira pessoa. O narrador era o actor principal. Inédito!Em segundo, há registos do cidadão comum de telemóvel em riste, que dão conta que o palácio presidencial, foi tomado de dentro para fora e não o contrário. Como se viessem ensarilhar as armas no pátio, esta unidade tomou posições de ataque contra portas e janelas.Em terceiro, a ocupação/tiros na Comissão Nacional de Eleições (CNE), sem resistência, um dos locais mais vigiados da capital, estabeleceu a prioridade deste Alto Comando Militar para a Restauração da Segurança Nacional e Ordem Pública (Alto Comando). Não ocuparam a televisão nacional, a rádio ou o aeroporto, como vem nos livros. Ocuparam a CNE e decretaram a anulação do processo eleitoral, na véspera da divulgação dos resultados. As contas estavam feitas, os dados só não foram lançados e os mesmos davam a vitória ao candidato da oposição, Fernando Dias, com 53%.Em quarto, no rol da análise de Elmer Araújo, há que analisar quem é quem no Alto Comando. São dos homens da máxima confiança do PR deposto, Umaru Sissoko Embaló. O actual PR Interino, o Brigadeiro-General Horta Inta-A Na Man, trata-se de militar que ocupava oficiosamente, aquilo que os seus pares chamaram de “Chefe-de-Estado-Maior-Particular-do-Presidente”, cargo inexistente, mas demonstrativo das intimidades entre Sissoko PR e seu CEMGFA. O actual PR Interino também teve uma ascensão dentro das fileiras, questionada por muitos, dentro e fora da instituição, pelos atropelos ao regulamento militar e forma meteórica do percurso. Outro Brigadeiro-General é Tomás Djassi,Comandante da Segurança Presidencial, que naturalmente acompanhou Sissoko em campanha eleitoral.Ora agora Djassi é o novo CEMGFA do novo PR, seu antecessor no cargo! Segundo Araújo, estes são os indícios de um “auto golpe”, para não se passar a presidência, o poder das fronteiras, dos ares e dos mares, a estranhos que estraguem negócio(s) montado(s) desde 2020.Sissoko, a salvo em Dakar, deverá passar a ser tratado por Padrinho!Politólogo/Arabista, Professor do Instituto Piaget de Almada O autor escreve de acordo com a antiga ortografia