Sete razões pelas quais se deve apostar agora em formação

Haverá muitas mais razões do que apenas sete. Mas sete são fundamentais e farão a diferença no futuro.

O mercado está estagnado numa série de setores e as contratações são frequentemente postecipadas. Este adiamento dá-lhe tempo para formação se a sua ideia é crescer, desenvolver-se e encontrar um trabalho que o lance para uma vida profissional com algum sentido e sabor.

O mercado de emprego não voltará tão cedo a dar sinais de procura forte e de salário interessante. É preciso vencer uma pandemia e, para além dela, é necessário recuperar a economia. As empresas preferem fazer com menos, e não arriscar tanto, a recrutarem em tempos destes. Dito isto, os próximos dois a três anos serão anos claramente de formação pois serão concomitantes à recuperação.

As pessoas mais bem posicionadas para uma pós-pandemia, ou para uma convivência prolongada com o vírus, serão aquelas que estarão mais bem preparadas e se posicionarem na linha da frente para as primeiras grandes oportunidades que irão surgir. Essas são as que fizeram formação.

É um enorme disparate dizer que não se investe em tempos de crise. Ora porque se está desempregado, ora porque não se sabe o futuro, ora porque se tem receio e não se sabe o que aí vem. São tudo pensamentos que em nada ajudam e em nada musculam a preparação de cada um. O resultado deste tipo de pensamento é chegar ao final do tempo de crise desgastado, sem formação e ainda a olhar para o lado e a ver todos quantos apostaram em formação a passarem à frente. Em crise investe-se, sim. Talvez em períodos áureos se aproveite mais para surfar e proceder ao milking the cow que o mercado nos pode dar. Neste momento, poupanças são para investir, e não há melhor investimento do que em nós próprios.

O tempo de que dispomos é, apesar de tudo, interessante. Muitas pessoas estão em trabalho remoto e assim continuarão. Se tiver de se deslocar irá beneficiar de menos tempo de trajeto e, consequentemente, mais tempo liberto para si. Ao contrário, se está em casa, em trabalho remoto, e apesar do esforço, deve mesmo aprender a conciliar tudo porque nunca terá uma oportunidade como esta para gerir tão bem o seu dia-a-dia.

A formação permite-lhe focar-se no futuro e naquilo que lhe importa e abstrair-se, na medida do possível, do frenesim das notícias diárias, do sensacionalismo com que se jogam números e das discussões infindáveis sobre se é "assim ou assado". Sobretudo quando quem discute não o faz intervindo; fá-lo sendo não mais do que um mero comentador de futebol, dado que as suas ações em nada alteram o curso da realidade, seja ela qual for.

Finalmente, mas não menos importante, é uma forma de se valorizar que engrandece a sua autoestima. E a sua autoestima não é um brinquedo de somenos importância dado que será um ativo importantíssimo para passar o que tem a passar e para aguentar o que tem de aguentar. Experimente deixar-se levar pela maré negra e a sua autoestima será sujeita a um maremoto das emoções, e então verá a sua resiliência por um canudo. Fortaleça-se, pois. Faça formação. E invista em si mesmo.


Professor catedrático do ISCTE. Presidente do ISCTE Executive Education.

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