Se há crime, há criminoso

As imagens chocantes que chegam de Bucha abrem as notícias, enchem as capas, ocupam os nossos pensamentos. São testemunho das atrocidades cometidas pelas forças russas às ordens de Vladimir Putin. Mais de quarenta dias depois de começar, de forma terrível, a guerra na Ucrânia continua a ser o tema do dia.

É verdade que, na sequência da bárbara invasão de um país vizinho, os europeus reajustaram as suas expectativas relativamente à crueldade do Presidente russo. Ainda assim, mesmo já sem a inocência do "mundo de ontem", a realidade nas ruas de Bucha ainda consegue surpreender: civis executados na berma da estrada, valas comuns com dezenas de vítimas, sinais de tortura e abusos sexuais. Um cenário de crueldade e barbárie. Teme-se que o mesmo se multiplique por outras cidades sob ocupação.

Porque até a guerra tem regras, estes crimes são o expoente máximo de brutalidade. Violam a mais básica dignidade humana; não podem passar impunes.

António Guterres, Secretário-Geral das Nações Unidas, reivindicou a investigação independente dos acontecimentos. A Comissão Europeia anunciou uma equipa para recolher provas e investigar crimes de guerra e crimes contra a humanidade, em conjunto com as forças ucranianas. No horizonte futuro de Vladimir Putin não deve faltar um julgamento no Tribunal Penal Internacional.

No imediato, face ao sucedido em Bucha, a União Europeia tem a responsabilidade de implementar uma nova ronda de sanções. É fundamental que a Rússia sinta que a UE fala a sério quando diz que as ações têm consequências.

Sabemos que as sanções à Rússia terão também impacto na economia europeia. O embargo imediato à compra de petróleo, carvão e combustível nuclear russos, e também ao gás o mais rapidamente possível, terá custos que temos de assumir. É preciso que estejamos dispostos a pagar o preço da liberdade e que entre nós prevaleça o compromisso com a decência, com os princípios democráticos e humanistas, com a solidariedade.

Entretanto, a Ucrânia tem de continuar a defender-se e a UE pode ter um papel nisso. O passo histórico da UE e de vários estados-membros de fornecer de armas, munições e outros equipamentos militares tem de ser continuado para que os ucranianos possam repelir a invasão. Quanto mais rápido o conseguirem fazer, menor o risco de que os crimes de guerra se repitam.

O nosso apoio à Ucrânia tem de se expressar também em termos financeiros. A guerra levou à paralisação da economia ucraniana e o seu Estado está exaurido. Um pacote de ajuda financeira de dimensão substancial permitiria atenuar a dureza das condições de milhões de ucranianos. Em simultâneo, contribuiria para que, aos milhões de refugiados que fogem da violência da guerra, não se some um êxodo maciço provocado pela penúria.

Nestes tempos dramáticos vividos pelos ucranianos, a nossa solidariedade não se pode ficar por palavras bem-intencionadas. É com ações concretas que podemos fazer a diferença. Será o nosso contributo na luta pela liberdade. Hoje é a dos ucranianos; se nada fizermos, amanhã será a nossa.

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