Regresso ao presencial no ensino superior: na dúvida, testar

O ensino superior "voltou" nesta semana ao regime presencial. Voltou, ou talvez não, já que muitas atividades continuarão em "falso" ensino à distância. Falso porque o que se está a fazer há um ano é um ensino remoto de emergência, motivado pela emergência pandémica e não o verdadeiro ensino à distância, ainda incipiente na maioria das instituições portuguesas.

Várias condicionantes levam a que não se tenha voltado em massa às instituições de ensino superior, nomeadamente a falta de condições físicas para lecionar com segurança turmas com um número de alunos excessivo que não permite o distanciamento; edifícios antigos cuja ventilação é inexistente ou incipiente e não garante uma rápida e eficaz renovação do ar; o medo de professores e alunos motivado pelas duas razões apresentadas.

Então o que fazer para uma maior adesão ao ensino presencial? A solução mais imediata seria a vacinação da comunidade. Percebe-se, no entanto, que sendo esta a solução para os problemas de todos os setores da economia, não se afigura fácil priorizar os envolvidos, nomeadamente os estudantes. A solução de recurso é testar, testar, testar, o que desde o meio da semana passada está a acontecer em todas as instituições num elevado número. Mesmo sendo todos os intervenientes vacinados, importa que esta pandemia sirva para elaborar e executar um plano de construção de novos espaços e reconversão de muitos dos existentes, garantindo que num futuro próximo o país não estará de novo confinado e refém do ensino online.

Por agora é fundamental garantir que se criam rapidamente condições para professores e alunos voltarem aos corredores das escolas, sem medo e com segurança, garantindo o ensino prático indispensável nas áreas mais ligadas à tecnologia e ao "saber fazer", como as engenharias, as artes, o desporto e a saúde, entre outras. É obrigatório evitar o aparecimento de uma "geração 2020", que venha a ser estigmatizada pelo modelo de ensino a que se viu obrigada. Os estudantes, que amanhã serão profissionais, precisam de usufruir do processo de aprendizagem, com métodos de ensino adaptados à aquisição de competências. Na chegada ao mercado de trabalho, as empresas e os empregadores não deixarão de questionar a sua competência e, com isso, avaliar os diplomados e as instituições que os formaram. Uns e outros precisam de garantir que a pandemia não foi uma determinante negativa no seu futuro.

Pelo lado das autoridades importa continuar a acelerar o ritmo de vacinação, chegando rapidamente a toda a população, garantindo assim a segurança sanitária e a retoma económica.

Nesta fase, sem o setor vacinado, cabe aos jovens estudantes perceber que são eles os principais interessados para que tudo volte a uma nova normalidade. Nas escolas e principalmente fora delas. E claro: na dúvida, testar.

Presidente do Instituto Politécnico de Coimbra

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