Reflexões sobre Portugal e Peru, 201 anos após a independência peruana

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O 201.º aniversário da Independência do Peru nos convida a refletir sobre a relação entre a República do Peru e os países que compõem a comunidade internacional. Portugal é um desses países, com os quais estamos unidos por sólidos laços históricos de amizade e cooperação. Nossas relações diplomáticas foram estabelecidas em 1853, com a assinatura de um tratado de comércio e navegação, e hoje, quase 170 anos depois, podemos dizer que nossas relações bilaterais passam por um alto nível de diálogo e entendimento político.

Ambos os países compartilham valores fundamentais na política externa, como a defesa da democracia, a proteção dos Direitos Humanos, a validade do multilateralismo, a defesa do meio ambiente, entre outros.

Quero destacar os compromissos assumidos no âmbito da recente Conferência sobre os Oceanos realizada em Lisboa no passado mês de junho, encontro internacional em que tive a honra de participar, presidindo a uma ampla e multidisciplinar delegação peruana.

Estes valores refletiram-se também na recente sexta reunião do Mecanismo de Consulta Política com Portugal, realizada no passado dia 12 de Maio, ao nível de vice-ministros em Lisboa, reunião que contribuiu para reforçar ainda mais as nossas coincidências e a construção de uma agenda futura.

Num mundo cada vez mais integrado, Portugal tornou-se um importante parceiro e aliado do Peru. O apoio português na União Europeia foi essencial para a ratificação do Acordo Comercial Multipartidário entre o Peru e o referido bloco, bem como para a aprovação da proposta de isenção de visto para cidadãos peruanos nos países do espaço Schengen.

Destaca-se também o forte apoio de Portugal ao convite do Peru para aderir à OCDE e a sua vontade de nos acompanhar neste processo.

A relação económica entre Peru e Portugal vive um excelente momento, embora com espaço para continuar a crescer. O Acordo de Livre Comércio entre o Peru e a UE, em vigor desde 2013, permitiu aumentar os níveis de intercâmbio comercial entre os dois países.

Por outro lado, em 2012 assinámos um acordo para evitar a dupla tributação, sendo o primeiro que o Peru assinou com um país europeu. Isto abriu as portas para um aumento nos investimentos de ambos os países.

Com efeito, a vitalidade da relação é comprovada pela crescente presença empresarial portuguesa no Peru. Destaca-se a Mota Engil, quinta construtora no Peru, e com mais de 3000 trabalhadores peruanos; Fidelidade na área dos seguros; a Etermar nos serviços portuários e a EDP na área das energias renováveis, em que Portugal é líder mundial.

A cultura ocupa um lugar especial em nossas relações. Nossos países vêm aumentando sua aproximação com a geminação de nossas línguas como símbolo. Destaca-se a incorporação do Peru, em julho de 2021, como observador da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, bem como as oportunidades que apresenta para realizar iniciativas nos campos educacional e cultural.

Também a participação de Portugal como convidado de honra na Feira Internacional do Livro de Lima, que abriu as suas portas no dia 22 de julho e que mereceu a presença do ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, João Gomes Cravinho, na sua inauguração. Nós peruanos temos o prazer de poder conhecer mais sobre o legado de Luís de Camões, Fernando Pessoa e José Saramago, entre outros.

E não é possível falar de cultura sem falar de turismo e gastronomia. Nós peruanos queremos saber mais sobre Portugal, assim como os portugueses certamente querem saber mais sobre o Peru. Entre outras iniciativas, assinámos um acordo de férias e trabalho que promove o intercâmbio de jovens dos dois países até um ano. Além disso, a gastronomia pode servir de fio condutor para esse tão necessário intercâmbio cultural entre os nossos povos, ambos detentores de duas das cozinhas mais famosas e reconhecidas internacionalmente.

O Peru completa 201 anos de vida republicana como nação irmã de Portugal. Orgulhosos das conquistas alcançadas até agora, continuaremos a trabalhar para que nossas relações se continuem a aprofundar, fazendo uso das nossas visões comuns de defesa da governança democrática, respeito do Estado de Direito e nosso compromisso com o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, melhorar a qualidade de vida de nossos povos, com dignidade e equidade.

Ministro dos Negócios Estrangeiros do Peru

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