PSD de volta à base local

O PSD tem uma missão exigente nas próximas autárquicas.
A herança pesada dos resultados de 2013 e 2017 - os dois piores de sempre - obriga a melhorar, e de forma substancial, não apenas o número de mandatos, mas também o número de autarquias conquistadas. Dirão os analistas que fazer pior é impossível. Embora aceite a ideia, é necessário olhar os factos e mobilizar forças para que não ocorra outra vez.

Desde 2001, quando conquistou larga maioria de municípios, o PSD tem vindo a perder força nas eleições locais. Isso deve-se a um conjunto muito alargado de fatores - políticos, sociológicos, culturais - cuja consequência é o enfraquecimento e a descaracterização de um partido de base municipalista, outrora sintonizado com as preocupações e necessidades do dito "país real": classe média, iniciativa privada, profissões liberais, livre-associativismo. Fruto de uma certa hegemonia cultural à esquerda, com maior predominância urbana, o PS tem conquistado o estatuto de grande partido autárquico.

Ao PSD impõe-se, por isso, resgatar o seu ADN popular e interclassista para recuperar terreno ao nível local e regional. É fundamental restabelecer uma aproximação aos setores mais dinâmicos da sociedade - não dependentes do Estado - e escolher, não apenas os mais mediáticos, mas os mais bem preparados para governar as comunidades.
A bandeira da meritocracia deve ser empunhada pelo PSD e entrar nas contas das autárquicas, por oposição à visão instrumental e carreirista que o PS impõe (também) na sua agenda local.

Este reposicionamento do partido é ainda mais emergente, dada a indesmentível afirmação de novos partidos à direita, com discursos que rompem com a monotonia vigente e as habituais tibiezas, quer do PSD quer do CDS.

Perante esta exigência, os primeiros sinais que o PSD transmitiu foram positivos. A direção nacional fechou um conjunto muito alargado de escolhas com antecedência e, em vários casos, surpreendeu pela qualidade e a ousadia das candidaturas. Lisboa foi, sem dúvida, um dos tiros certeiros nessa matéria, uma vez que Carlos Moedas é um dos melhores quadros do partido e tem a experiência internacional que a capital do país justifica. A opção em Coimbra também seguiu o mesmo princípio.

Noutros casos, a lógica foi ainda mais pragmática e, de alguma forma, até contrária ao dogmatismo que algumas posições anteriores de Rui Rio denunciavam. O imperativo ético não permitia adivinhar algumas opções menos convencionais, como é o caso de Amadora, Vila Nova de Gaia ou Oeiras - este ainda por confirmar. Mas, como sol na eira e chuva no nabal é combinação impossível, louve-se a ambição do líder do partido em fazer diferente nestas autárquicas e estar, até, disponível a contrariar alguma rigidez de princípios para chegar a um resultado autárquico bem mais dignificante. Essa, de resto, deve ser a ambição natural de um grande partido político como o PSD, não se resignando com a manutenção dos poucos bastiões locais de que dispõe.

O PSD foi, é e será um grande partido da democracia portuguesa. Tem de assumir esse estatuto de pleno direito, não se deixando intimidar por populismos ou subalternizar perante um socialismo hegemónico. As autárquicas são um excelente ponto de partida nesse percurso. E o partido não pode dar-se ao luxo de repetir os resultados anteriores.

Presidente da Câmara Municipal de Espinho

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