Setembro é, em Portugal, o mês da rentrée política. Depois do verão, o país regressa ao trabalho e a política retoma o seu ritmo acelerado, com a preparação do Orçamento do Estado, as primeiras movimentações para as autárquicas e a definição dos temas que vão marcar os últimos meses do ano. Mas este regresso acontece num clima de incerteza e de impaciência. A cada rentrée renovam-se promessas e repetem-se a desconfiança dos portugueses em relação ao Estado e à política. A seis semanas da apresentação do Orçamento de Estado, prevista para 10 de outubro, cresce a expectativa sobre a forma como as promessas eleitorais se transformarão, ou não, em medidas concretas. O país continua a enfrentar os mesmos problemas de sempre: serviços públicos em rutura, habitação inacessível, impostos sufocantes e uma economia incapaz de fixar jovens. O Orçamento será o primeiro teste à credibilidade do Governo, mas também uma prova de fogo para perceber se a alternância trouxe mudança real ou apenas mais do mesmo. Ao mesmo tempo, setembro marca também o regresso às ruas. O CHEGA convocou para 29 de setembro uma grande manifestação nacional contra a imigração descontrolada e pela segurança, sob o lema “Portugal Seguro, um País com Futuro”. Este será, sem dúvida, um dos momentos centrais traduzindo a crescente indignação dos portugueses perante políticas que abriram fronteiras sem planeamento, sem controlo e sem respeito pela capacidade de resposta do país. Outro palco decisivo serão as eleições autárquicas. Cada concelho será chamado a avaliar a proximidade, a capacidade de resposta e o compromisso de quem está no terreno. É nesse espaço local que o CHEGA tem vindo a surpreender, apresentando equipas fortes, ligadas às comunidades e capazes de desafiar o marasmo instalado. E como sabemos, a grande surpresa deste ciclo político, tem sido o crescimento do CHEGA. Nas legislativas, o partido consolidou-se como a segunda força política nacional, contrariando previsões e confirmando a existência de uma onda de mudança que não pode ser ignorada. Onde os partidos tradicionais insistem em repetir fórmulas gastas, o CHEGA soube dar voz à insatisfação popular, transformando-a em propostas concretas e em mobilização. É esse crescimento, inesperado para muitos, que marca a diferença nesta rentrée: não estamos apenas perante mais um regresso à rotina, mas perante a afirmação de uma alternativa real. Enquanto isso, o país acumula fragilidades: fundos comunitários mal executados, saúde no limite, educação a arrastar carências estruturais e uma habitação que se tornou uma miragem para jovens e famílias. E perante este quadro, o Governo insiste em discursos vagos e promessas que nunca saem do papel. O que está em causa nesta rentrée vai além do calendário político. Está em causa a perceção de que Portugal não pode continuar refém da inércia e do compadrio. O crescimento do CHEGA é a resposta clara de milhares de portugueses a esse cansaço. Uma resposta firme, que coloca o partido no centro do debate e obriga todos os outros a reconhecer que a paisagem política mudou. Setembro é, assim, o recomeço de um combate que se intensificará nos próximos meses. De um lado, a promessa de continuidade, com os mesmos erros de sempre. Do outro, a afirmação de uma alternativa que cresce a cada eleição, a cada manifestação, a cada proposta apresentada. A rentrée política de 2025 ficará marcada por isso mesmo: pela consolidação do CHEGA como a força que surpreendeu o sistema e que continua a surpreender o país. Economista e deputado à Assembleia da República